CB, Política, p. 06
03 de Mai de 2007
Funcionários do Ibama preparam paralisação
Leonel Rocha
Da Equipe do Correio
Os 6 mil funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), órgão que o governo decidiu dividir em três novas instituições, ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado para tentar derrubar no Congresso a Medida Provisória 366, editada no dia 26 de abril, que estabelece uma nova estrutura administrativa para a entidade e reduz as suas atribuições. A mesma MP criou o Instituto Chico Mendes para cuidar apenas das Unidades de Conservação e tenta regulamentar o Sistema Florestal Brasileiro. Amanhã serão realizadas assembléias de servidores em todo o país e a tendência é pela paralisação.
Sindicalistas - na sua maioria ligados ao PT, mesmo partido do presidente da República e da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva - que representam os funcionários do órgão estão se sentindo traídos. Eles apoiaram as duas eleições de Lula e a indicação da ministra ambientalista. Agora, os dois estão propondo o esquartejamento do Ibama. "É a tentativa de desmonte do órgão. É um retrocesso político e administrativo", protestou Jonas Corrêa, presidente da Associação Nacional dos Servidores do Ibama (Asibama). Ontem, funcionários do instituto começaram a protestar nos corredores do Congresso, onde fazem hoje pela manhã um ato ecumênico. Também nesta quinta-feira, aproveitam a visita de Lula a Uberlândia (MG), para novo protesto.
O clima entre os servidores do Ibama em Brasília é de revolta. O órgão foi criado em 1989 e fundiu quatro antigas instituições responsáveis pela política ambiental brasileira: o Instituto Brasileiro de Defesa Florestal (IBDF), a Superintendência do Desenvolvimento da Pesca (Sudepe), a Superintendência do Desenvolvimento da Borracha (Sudhevea) e a Secretaria do Meio Ambiente (Sema). Agora, terá que repartir seu orçamento, o patrimônio e o rico banco de dados que acumulou nos quase 20 anos. "Foi uma decisão arbitrária, autoritária e que não poderia ser adotada por um governo que pretende ser democrático e popular", acusou Jonas Corrêa.
Sem urgência
O deputado Sarney Filho (PV-MA), ex-ministro do Meio Ambiente, ainda não tem opinião sobre o conteúdo da reforma. Mas considerou inadequada a forma como a reformulação foi proposta, por meio de MP. "O assunto não tem urgência nem relevância. Não tem cabimento", alertou Sarney. Dois ex-presidentes do Ibama também criticaram as mudanças. "A reforma vai aumentar o déficit público e dividir um orçamento já minguado", disse Hamilton Casara, que presidiu o Ibama nos dois últimos anos do governo Fernando Henrique. "Infelizmente, o que está se vendo agora é o caos e o retrocesso em matéria de gestão ambiental", criticou o fundador do Ibama, Fernando Cézar Mesquita.
CB, 03/05/2007, Política, p. 06
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