Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: JOSÉ EDUARDO RONDON
02 de Jul de 2004
Dois funcionários da Funai estão sendo mantidos reféns desde ontem em Roraima por índios contrários à homologação contínua da terra indígena Raposa/Serra do Sol (área de 1,69 milhão de hectares no nordeste do Estado).
A retenção dos servidores foi anunciada pelo coordenador interino da Funai em Roraima, Benedito Rangel, à Polícia Federal.
Conforme relato do delegado Dércio José Carvalheda Júnior, da PF de Roraima, uma equipe de policiais havia sido enviada ao local para tentar libertar os reféns.
Segundo a assessoria do CIR (Conselho Indígena de Roraima), cerca de 300 indígenas favoráveis à demarcação não-contínua da área, comandados por arrozeiros, renderam os funcionários da Funai no final da tarde de anteontem em Pacaraima (214 km de Boa Vista) e os levaram para a aldeia do Contão.
Para o coordenador interino da Funai no Estado, os servidores foram feitos reféns em retaliação à montagem de um acampamento por indígenas --favoráveis à homologação contínua da área-- ao lado de uma fazenda do arrozeiro Paulo César Quartieiro, ocorrida na quarta-feira.
Quartieiro --uma das lideranças do movimento contrário à homologação contínua da reserva-- disse que está impedido de deixar a sede de sua fazenda, em Normandia, por índios favoráveis à homologação contínua.
"Eles [os índios] construíram barreiras em duas saídas da minha propriedade. Estou, com um funcionário, impedido de deixar a área", afirmou Quartieiro. "Um conflito pode ocorrer em razão da falta de policiamento no local e de muitos dos indígenas estarem armados com arcos e flechas."
De acordo com o presidente do CIR, Jacir José de Souza, "a situação na área é tensa e pode haver conflitos" entre os grupos discordantes da forma como deve ser homologada a terra indígena Raposa/Serra do Sol.
Até o fechamento desta edição, os dois funcionários da Funai (Fundação Nacional do Índio) continuavam reféns.
Em janeiro, após o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) ter anunciado que a homologação ocorreria de forma contínua, manifestantes contrários à decisão realizaram uma série de protestos no Estado. A sede da Funai em Boa Vista foi invadida, rodovias estaduais, bloqueadas e três religiosos, seqüestrados.
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