O Liberal-Belém-PA
11 de Jul de 2005
Os funcionários da Funai, que continuam em greve juntamente com outros órgãos federais, esclarecem que a paralisação não se restrige à reivindicação de 18% de reposição salarial. Mais do que isso, pretende sensibilizar o governo federal para as dificuldades estruturais que impedem o órgão de desenvolver um trabalho mais eficiente.
"Como nós podemos atender bem aos índios se recebemos baixos salários e a Funai não dispõe de técnicos suficientes para fazer o trabalho de campo, fundamental para as comunidades indígenas?", questina a agronoma Edna Miranda.
Ela acrescenta que a falta de recursos também emperra muitas ações da administração da Funai em Belém: "Não há repasse suficiente de recursos por parte de Brasília (onde está localizada a unidade central do órgão indigenista). É preciso mudar muita coisa para que os índios sejam melhor atendidos", avisa Edna.
Os servidores da Funai em greve dizem que muitas críticas feitas ao trabalho do órgão são improcedentes. "Muita gente não sabe que, para retirar invasores da área, a Funai precisa do apoio do Ibama e Polícia Federal, para autuar e prender madeireiros que roubam madeira; e do Incra, para providenciar assentamento, entre outros órgãos", lembra o técnico agrícola Dilson Cavalcante, que já trabalhou como chefe de posto indígena na Reserva Alto Rio Guamá.
Ele afirma que as invasões à reserva crescem em ano eleitoral. "A história se repete a cada ano. É político prometendo parte da área dos tembé para os invasores. Isso é um verdadeiro absurdo, já que a reserva (Alto Rio Guamá) já teve sua demarcação homologada pela Presidência da República", lembra Dilson Cavalcante.
Os servidores da Funai esclarecem que, apesar de estarem em greve, um deles foi deslocado para atender aos índios tembé durante a invasão do prédio da Funai em Belém, durante 15 dias. "Os índios, inclusive, foram avisados da paralisação e das dificuldades que enfrentariam, mas preferiram manter o movimento", afirma Dilson Cavalcanti.
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