VOLTAR

Funasa vai ter mais recursos neste ano para cuidar da saúde indígena

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
22 de Mar de 2005

O orçamento da coordenação local da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para a saúde das populações indígenas de Roraima aumentou 30% este ano. O combate à malária, tuberculose, mortalidade infantil e a execução de projetos de saneamento básico são as prioridades.
Segundo o coordenador da Funasa, Ramiro Teixeira, está prevista para este ano a construção de 18 sistemas de captação e distribuição de água nas comunidades indígenas, a mesma quantidade que foi incluída no orçamento do ano passado.
A novidade é que, ainda no primeiro semestre, a Funasa começará a tratar a água distribuída aos indígenas. "No próximo dia 21, vamos receber técnicos de Brasília que vêm discutir o projeto com o nosso pessoal", informou. Inicialmente, 20 comunidades serão beneficiadas, no Distrito Sanitário Leste, que abrange toda a área indígena do Estado, exceto a Yanomami.
Além de proporcionar melhoria na qualidade de vida dos indígenas, essa ação reduz a dívida da sociedade com os índios, na opinião do coordenador. "Eles já tiveram seus mananciais de água limpos, que foram destruídos pela ação do homem branco, como a agricultura", salienta.
Dos R$ 35 milhões que a Funasa poderá gastar este ano, R$ 27 milhões foram destinados para a saúde indígena, numa população de 45 mil pessoas, distribuídas em dois distritos: o Leste, que atende aos índios do lavrado, e os Yanomami.
O trabalho é feito através de convênios com o Conselho Indígena de Roraima (CIR), a Diocese de Roraima, a Universidade de Brasília (UNB), Secoya e o IBDS. Juntos, elas receberão aproximadamente R$ 20 milhões para assistir aos indígenas.
A maior parte dos recursos, R$ 10 milhões, vai para a UNB, que atua exclusivamente com os yanomami. Depois vem o CIR, que recebe R$ 7 milhões. O trabalho também é executado pela Missão Evangélica da Amazônia (Meva), com recursos próprios e pelo Exército Brasileiro, no apoio logístico.
Do total de recursos destinados à saúde indígena, 62% vão para o pagamento do pessoal que atua dentro da área. São 450 profissionais no Distrito Leste e 250 no Yanomami, além de cinqüenta técnicos que atuam no setor administrativo, em Boa Vista, para dar suporte às ações de campo.
Teixeira esclarece que a política de atuação da Funasa baseia-se na saúde preventiva, "que é o correto em termos de saúde pública". O atendimento é feito diretamente nas aldeias. Na área Yanomami, os casos mais complicados são tratados nos postos de saúde implantados em Surucucus e Waicas. Já os pacientes em estado grave são removidos para Boa Vista e encaminhados para a Casa de Saúde Indígena ou para o Hospital Geral e Hospital da Criança, que são conveniados com o SUS (Sistema Único de Saúde).
De acordo com o coordenador, cabe à Funasa o planejamento, execução e supervisão de todo o trabalho realizado com as comunidades indígenas.
Nos dois distritos, a malária e a tuberculose são as doenças com a maior incidência. Somente na área Yanomami, foram registrados 418 casos de malária e 618 em 2004. Teixeira esclarece que isso não significa que a doença está proliferando, mas que a ação dos profissionais de saúde está mais eficaz, no sentido de notificar todas as ocorrências

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.