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Funasa vai reunir prefeitos eleitos para falar sobre a saúde indígena

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
21 de Out de 2004

O coordenador regional da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Ramiro Teixeira, afirmou ontem que vai convocar os prefeitos eleitos nos municípios da área leste, que tem parcerias com a entidade, para falar sobre as ações a serem implantadas pelo órgão.
Serão convocados os prefeitos de Alto Alegre, Boa Vista, Bonfim, Cantá, Normandia, Pacaraima e São Luiz do Anauá. Embora ainda sem data marcada para a reunião, Teixeira adiantou que o assunto é para levar as reivindicações feitas por lideranças indígenas, na semana passada, durante reunião.

"Nem todos os municípios foram criticados, mas resolvi convocar todos os prefeitos, até porque a maioria estará pela primeira vez à frente da prefeitura e devem ficar sabendo dos programas e ações da Funasa", disse.

Sobre os atuais prefeitos, Ramiro Teixeira disse que já conversou pessoalmente com alguns deles e ainda esta semana vai levar as reivindicações aos demais.

A Funasa tem duas linhas prioritárias de atendimento: a atenção integral à saúde indígena e a outra ligada ao saneamento básico, em localidades indígenas e nos municípios. O coordenador lembrou que a Funasa tem encaminhado recursos para os municípios no sentido de implantarem melhorias na área de saúde dos índios.

Para se ter uma idéia dos convênios com os municípios na saúde indígena, o coordenador mostrou números dos recursos aplicados este ano nos municípios da região leste, dentro do Programa de Atenção Básica dos Povos Indígenas, na ordem de R$ 1.276,850,00.

Detalhando cada convênio, Ramiro destacou os municípios de Normandia e Pacaraima, que receberam de dezembro de 2003 a setembro de 2004 a importância de R$ 268.800,00, cada um. No mesmo período, Boa Vista recebeu R$ 256.800,00, Alto Alegre e Cantá R$ 160.500,00 cada, Bonfim R$ 144,450,00 e São Luiz do Anauá R$ 17.000,00.

"A Funasa repassa recursos para essas prefeituras para a contratação de profissionais da área de saúde para que sejam feitos os atendimentos nas malocas e, com isso, evitar que o índio venha para a sede dos municípios", disse. "A não ser em casos especiais, que devem ser encaminhados para a sede dos municípios ou para a Capital", disse, em resposta à principal reivindicação

dos Wapixana, que reclamam da falta de transporte para encaminhamento de pacientes à Capital, hospedagem, alimentação e uma série de fatores que envolvem uma remoção para tratamento fora das comunidades.

Segundo ele, muitos casos que podem ser tratados na própria região têm sido levados à sede dos municípios, ou mesmo à Capital, gerando uma grande procura nos serviços de saúde, já lotados. Lembrou ainda que uma simples consulta requer espera e depende de vagas, que muitas vezes os hospitais não dispõem, daí a necessidade do atendimento ser realizado nos pólos-base de cada comunidade.

"Para isso a Funasa criou dois Distritos Sanitários, um no leste e outro na região Yanomami, para gerenciar o atendimento em suas próprias comunidades através dos 64 pólos de saúde espalhados nas comunidades", disse.

Já as comunidades do Jabuti, Bom Jesus, Novo Paraíso, Muriru, Alto Arraial e Marupá pediram que a comunicação entre as localidades fosse intensificada com a aquisição do serviço de rádio-fonia.

No encontro, todas as partes envolvidas chegaram a um consenso da necessidade de que é preciso um trabalho em conjunto com Funasa, CIR e as prefeituras na realização de exames de rotina, além de aquisição de materiais e a construção de laboratórios nas próprias malocas, realizações que podem atender com muito mais eficácia a demanda

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