VOLTAR

Funasa suspeita de 300 infectados em aldeia indígena do AP

Jornal do Amapá-Macapá-AP
06 de out de 2005

A Funasa (Fundação Nacional de Saúde) confirmou ontem que está apurando uma suspeita de epidemia de coqueluche detectada na tribo indígena Kumarumã, localizada na área indígena Uaçá, no município de Oiapoque. O caso foi detectado por técnicos da Funasa durante uma inspeção feita na aldeia no último dia 30, ocasião em que 300 indígenas apresentaram sintomas da doença.
Segundo a Funasa, o problema começou a ganhar notoriedade a partir do dia 25 de setembro último, quando um bebê Kumarumã passou mal. Devido a gravidade do quadro clínico da criança, os agentes de saúde da Funasa que trabalham na aldeia encaminharam a vítima para a Casa do Índio de Oiapoque. Contudo, mesmo com condições de oferecer um tratamento melhor, o bebê Kumarumã teve de ser encaminhado para receber tratamento especializado em Macapá. Um dia depois das suspeitas (26/09), a criança não resistiu e morreu. Na oportunidade, os pais da criança relataram que várias outras pessoas também estavam apresentando os mesmos sintomas do bebê na tribo.
Como os sintomas da coqueluche e de uma gripe forte (ou pneumonia) podem ser confundidos no estágio inicial da doença, a Fundação Nacional de Saúde resolveu enviar técnicos até a aldeia, pois os médicos que cuidaram da criança não descartaram a hipótese da coqueluche ter sido a real causa da morte do bebê. "A aldeia Kumarumã tem hoje cerca de 1800 índios. Segundo os agentes de saúde que foram até o local, o caso é preocupante por se tratar de uma doença contagiosa. Hoje temos 300 pessoas suspeitas de estarem com a doença, mas todas as medidas emergências já foram adotadas pela Funasa. Os demais procedimentos dependem dos exames feitos com os indígenas", relatou a chefe do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena)/ Funasa, Sueli Oliveira.
Mesmo com trabalhos constantes nas tribos presentes no Amapá, alguns pontos dificultam o trabalho preventivo da Funasa nas aldeias, pois o próprio estilo de vida dos povos indígenas (que não conhecem fronteiras) contribui para o agravo de problemas nessas tribos. "Já realizamos quatro etapas de vacinação, inclusive com a preventiva contra a coqueluche. Entretanto, muitas vezes os índios que residem no Oiapoque vão para a Guiana Francesa e não recebem as doses. Da mesma forma acontece com as tribos francesas. Como o agente de saúde não tem essa liberdade, é difícil manter um controle 100% preciso, mesmo com equipes presentes nas tribos. Como os índios têm uma resistência mais baixa que a nossa, mesmo vacinados, eles ainda podem contrair a doença. A eficácia da imunização não é 100% garantida", explicou a chefe do DSEI/Funasa.
Entretanto, a Funasa garantiu que o problema está isolado na tribo Kumarumã. A confirmação da epidemia e a efetivação de outras medidas depende do resultado dos exames que estão sendo feitos no Lacen (Laboratório Central). A previsão, é que os resultados fiquem prontos em nove dias.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.