Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
06 de Mar de 2005
A Funasa informou que, desde que assumiu a saúde indígena -até 1999 sob comando da Funai-, a mortalidade infantil nas aldeias teve queda maior que a registrada no indicador nacional.
Segundo Alexandre Padilha, diretor do Departamento de Saúde Indígena da fundação, em 1999 foram registrados 112 mortos para cada mil nascidos vivos. Em 2004, segundo a fundação, foram 47,4 mortes, em média, para cada mil nascidos -o dobro da mortalidade infantil medida no país no ano passado. Afirmou ainda considerar os índices altos e informou que a intenção é reduzi-los.
Disse ainda que, comparados aos indicadores de saúde de populações não-índias nas mesmas condições geográficas, as aldeias estão hoje em situação melhor.
Em relação à mortalidade infantil entre os xavante (índice de 133), o diretor diz que, tanto nesta área de Mato Grosso como em Mato Grosso do Sul, há problemas fundiários que se "refletem" na saúde. "Em Mato Grosso do Sul, a saúde acaba recebendo impacto de outros problemas, como o da terra". A demarcação de terra para índios é uma atribuição da Funai.
Questionado se responderia às críticas do presidente da Funai, Mércio Gomes, em relação ao trabalho da Funasa, disse que "não comentaria declarações à imprensa".
Sobre Dourados (MS), onde seis crianças morreram de desnutrição neste ano, Padilha afirmou que a situação "preocupa" e que tem sido "enfrentada". Segundo ele, o distrito foi escolhido como "piloto" do programa de combate à desnutrição.
Padilha rebateu os críticos que dizem que a Funasa não respeita a especificidade cultural dos índios no atendimento. "Nós respeitamos a cultura indígena. Qualquer resistência por parte da família a nossa orientação é passar à Funai [...] A cesta não é a única ação do governo na área", disse.
Quanto ao modelo de saúde, Padilha disse que a intenção da fundação é aumentar o controle financeiro sobre as conveniadas e também a supervisão e a capacitação, além de incentivar a formação de profissionais índios.
Sobre a questão da rotatividade profissional, diz considerar ser um problema e que a saída da Funasa é aumentar os convênios com universidades, que teriam tradição com trabalho de longo prazo e compromisso com a formação do profissional para saúde indígena.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.