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Funasa: criança morta sábado não estava desnutrida nem morava em aldeia indígena

Radiobrás-Brasília-DF
28 de Fev de 2005

Um menino indígena morreu no último sábado (26) em Dourados, Mato Grosso do Sul. Antes dele, cinco crianças já haviam morrido de desnutrição na região de Dourados. Entretanto, segundo a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a causa da morte de Róbson Garcia Fernandes, de dois anos, não foi a fome. "Não tem nenhuma relação com situação de desnutrição", disse o diretor do Departamento de Saúde Indígena da Funasa, Alexandre Padilha.

Ele esclareceu que a criança não morava em área indígena. "A criança morava em uma fazenda onde os pais trabalham, a 12 quilômetros de Dourados", informou Padilha. "Encaminhamos um médico, e suspeitava-se de um acometimento renal". Padilha citou dados da Funasa de um acompanhamento médico feito quando o menino morava na aldeia, demonstrando que ele não teve em nenhum momento em situação de desnutrição.

Dez médicos, cinco nutricionistas e dez enfermeiros intensificaram as ações de atendimento à saúde dos índios da etnia Guarani-Kaiowá no fim de semana passado, nas aldeias Bororó e Jaguapiru. Segundo a Funasa, no primeiro dia da ação foram atendidas 192 crianças com até cinco anos de idade, entre as 250 consideradas desnutridas. O mutirão da saúde, como está sendo denominada a ação, vai continuar por tempo indeterminado, de acordo com o órgão.

Ainda segundo Padilha, a Funasa também esteve na fazenda onde moram cerca de 45 indígenas, que trabalham lá há 12 anos, para fazer uma avaliação da saúde daquela população. "Junto com a Secretaria municipal de Saúde, avaliamos que todas as crianças na fazenda estão bem nutridas", afirma.

Hoje, a equipe de saúde retomou as visitas domiciliares nas aldeias para dar prosseguimento ao trabalho de avaliação das crianças em situação de desnutrição. Os profissionais também estão acompanhando a saúde das 31 crianças internadas no Centro de Recuperação Nutricional de Missão Kaiowá e as que estão em tratamento nos hospitais da Mulher, em Dourados, e da Missão Kaiowá, 19 no total, com diferentes patologias, segundo a Funasa.

Para o diretor de Saúde Indígena da Funasa, a situação ainda preocupa, mas o trabalho está sendo feito com vários órgãos do governo federal. "Estamos com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Ministério do Meio Ambiente e Funai para tentar reduzir cada vez mais o problema da desnutrição", disse ele.

A comissão criada para coordenar as ações de suplemento nutricional recebeu, neste fim de semana, 50 quilos de leite. Hoje, chegam a Dourados 1.200 cestas básicas do Ministério do Desenvolvimento Social. Ao todo, são 22,8 toneladas de alimentos.

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