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Funasa apresenta relatório sobre a morte dos índios na região do Juruá

Página 20-Rio Branco-AC
07 de Nov de 2002

Equipe multidisciplinar descartou a possibilidade de epidemia de cólera nas aldeias indígenas

A equipe multidisciplinar enviada ao Jordão para averiguar as mortes indígenas ocorridas na região entregou, no final da tarde de segunda feira, um relatório completo para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

A possibilidade de epidemia de cólera nas aldeias Nova Empresa, Nova Extrema e Sacada, todas localizadas ao longo do Rio Jordão, foi descartada pela equipe de saúde. A causa da morte das crianças, segundo a Funasa, foi diarréia. Elas apresentaram quadro clínico de vômitos e desidratação. Uma liderança indígena adolescente também faleceu, mas, o relatório não constatou com certeza a causa do óbito.

"O fato das mortes terem acontecido em aldeias distintas e em momentos diferentes descaracteriza o surto de cólera, como vinha sendo divulgado por alguns veículos de comunicação. Com relação à morte do adolescente, a causa do óbito não foi apontada com certeza, mas, acredita-se que ele veio a falecer devido ao agravamento de alguma doença pela ingestão de bebida alcoólica", disse o responsável pelo expediente da Funasa no Acre, Gelcimar Mota da Cruz.

Morte de índios é comum nessa época do ano

O final do ano, época em que termina o verão e começa o inverno amazônico e que as constantes chuvas provocam as cheias dos rios é um período em que as mortes são comuns nas aldeias indígenas. A informação foi dada pelo coordenador do convênio Uni-Funai para a saúde indígena, Biraci Brasil.

"Queremos deixar bem claro que não houve epidemia e que novas mortes podem ocorrer, e já estamos nos preparando para isso. A época de cheias dos rios torna as águas barrentas e traz todas as impurezas que ficam às margens do rio, provocando, entre outros sintomas, diarréias. É comum essas mortes acontecerem nessa época do ano por esse motivo. Quantas crianças já morreram em anos anteriores? Isso é comum, mas, agora os meios de comunicação noticiam", comentou Biraci.

Segundo o coordenador, há no Estado hoje um total de 311 funcionários para cuidar da saúde dos índios, distribuídas em 12 equipes de saúde básica. Para Biraci, esse número não é o ideal e o investimento na área tem que ser maior, mas, caracteriza um momento histórico vivido pela sociedade.

MELHORAS - "Essa quadro já é um grande avanço. O que aconteceu no Jordão é um alerta para melhorarmos, qualificarmos e intensificarmos o nosso trabalho. Agora, que a imprensa noticia o que acontece nas nossas comunidades novos casos aparecerão, eles sempre aconteceram, mas antes não chegava ao conhecimento do público porque ninguém informava. Além disso, houve uma melhoria muito grande com o trabalho das equipes de saúde básica", ressaltou Biraci.

Ainda com relação às mortes das crianças, o coordenador comentou que "Geralmente isso ocorre todos os anos, e hoje nós temos a felicidade de poder levar os nossos problemas até a sociedade por que a interação com os meios de comunicação é muito boa. Hoje temos gente em campo para trazer essas informações para a sociedade, que pode conhecer melhor nossa realidade".

Mais dez crianças apresentam quadro de diarréia e desidratação

O relatório da equipe multidisciplinar apontou ainda que dez crianças indígenas apresentaram quadros de diarréia e desidratação leve ou moderada. Segundo a Funasa, as providências para evitar o agravamento das doenças já foram tomadas.

"Vamos intensificar o atendimento nessa e em outras regiões, no momento em que soubemos outras equipes foram deslocadas até as aldeias, e isso vai ocorrer agora com maior freqüência. Vamos acompanhar tudo mais de perto. Distribuímos remédios, demos orientações quanto ao uso do soro caseiro e ministramos palestras informativas para as comunidades indígenas", ressaltou Gelcimar Mota.

Segundo o responsável pelo expediente da Funasa, haverá uma equipe multidisciplinar, composta por dois enfermeiros, dois auxiliares de enfermagem e um odontólogo, fixa no local. A intenção é atender melhor as comunidades indígenas da região do Jordão.

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