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Funasa acusa evangélicos de aculturar índios

Tribuna de Imprensa-Rio de Janeiro-RJ
08 de mar de 2006

A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) deve entrar com uma ação no Ministério Público Federal para pedir à Justiça que retire os missionários evangélicos da "Jovens com uma Missão" (Jocum) da aldeia dos suruahá, que fica na área rural do município de Tapauá, a 450 quilômetros de Manaus.

A etnia, composta por apenas 137 membros, mora isolada e, na visão do coordenador da Funasa, Francisco Aires, está sendo aculturada pelos missionários.

"Eles estão até aprendendo cantos evangélicos na língua suruahá, comendo alimentos com óleo e sal, algo que não existe na cultura deles. Na minha opinião, eles não querem só evangelizar; levam estrangeiros para conhecer os indígenas, não sei qual a intenção", afirmou Aires. Segundo Aires, a Funasa deverá estender essa proibição de contato também em relação a outras organizações missionárias, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), da igreja católica.

A presidente da Jocum, Bráulia Ribeiro, rebate as desconfianças do superintendente da Funasa. "Não estamos aqui para catequizar, mas para ajudar no que eles precisam. Não estamos aqui para impor nossa cultura a eles, mas para tentar preservar suas crenças", disse. "Só fazemos o que eles nos pedem - como no ano passado, quando as crianças estavam doentes e as mães, ao contrário do que prega a própria cultura delas, não quiseram sacrificar seus filhos".

Em julho do ano passado, a Funasa interveio no caso do transporte de duas famílias de suruahá para São Paulo, levados por missionários da Jocum, para tratamento médico. A Funasa afirmou que não havia autorização para a Jocum transportar os indígenas.

"Temos os documentos que demonstram que a regional de Lábrea autorizou as viagens", disse. À época, uma criança com genitália ambígua (hermafrodita) foi operada e outra, com paralisia cerebral, iniciou tratamentos de fisioterapia, ambas no Hospital das Clínicas, onde ficaram por quatro meses.

"Em São Paulo, fomos impedidos de continuar com eles, mas a Funasa sabe que necessita de nosso trabalho como intérpretes", disse Bráulia. "Temos dois etnólogos com formação e mestrado na Universidade de Campinas (Unicamp), Márcia e Edson Suzuki, que trabalham com os suruahá há anos e a Funasa sabe que a língua dos suruahá é muito pouco conhecida".

Como não há tratamento adequado em Manaus, hoje, Moadi, mãe da garotinha suruahá com paralisia cerebral, viaja para Brasília com a filha, acompanhada por enfermeiros da Funasa, para continuar o tratamento de fisioterapia no Hospital Sarah Kubitschek.

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