Agência Folha, em Manaus-AM
Autor: Kátia Brasil
09 de Abr de 2001
A Funai (Fundação Nacional do Índio) vai transmitir, na manhã de quarta-feira (11), um comunicado por rádio para as 431 aldeias indígenas no oeste do Amazonas, suspendo qualquer atividade de exploração dos recursos florestais e minerais nas terras dos índios.
O comunicado será transmitido, às 7h30, pela administração da Funai em São Gabriel da Cachoeira (AM), município de onde saiu na semana passada um carregamento de sete toneladas de ametistas e 300 kg de tantalita, apreendido pela Polícia Federal em Manaus.
A divulgação do comunicado faz parte de uma estratégia montada ontem para impedir que os índios das reservas do alto rio Negro, médio rio Negro 1 e 2, rio Apapóris e rio Téa explorem minérios sem a autorização da União, como exige o artigo 231 da Constituição.
Nessas reservas, que somam juntas 10,6 milhões de hectares, vivem oficialmente 23.553 índios. Nas terras indígenas há jazidas de cassiterita, tantalita, nióbio, ametistas e ouro.
O carregamento apreendido no domingo estava sob responsabilidade do vice-presidente da ONG Cooperíndio (Cooperativa de Produção dos Índios do Rio Negro), o catarinense Adir Nagel Júnior, e do minerador Olivaldo Cassemiro. Eles foram detidos para depor na Polícia Federal, que abriu inquérito com base na Lei de Crimes Ambientais.
A carga iria para compradores de Governador Valadares e São João Del Rey, em Minas Gerais, mas não tinha autorização do Departamento Nacional de Pesquisa Mineral.
Em entrevista à Agência Folha, por telefone, o presidente da ONG Cooperíndio, o índio tucano Jorge Pereira, reconheceu que a exploração não era legal, mas acusou a Funai de conivência.
"A Funai tem conhecimentos de que estamos fazendo uma experiência de exploração. Pedimos autorização para mandar um técnico branco (Adir Nagel Júnior) para a reserva para fazer uma análise da qualidade do material e do transporte", disse.
O administrador da Funai, Henrique Vaz, desmentiu Pereira. "Eles receberam uma autorização, no ano passado, para realizar um curso sobre mineração nas aldeias, e não foi esse técnico que ministrou o curso. Estão usando a ingenuidade dos índios para um ato ilegal", declarou.
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