O Liberal-Belém-PA
Autor: Mano Lima
18 de Abr de 2005
A tragédia das crianças que morreram de fome nas reservas indígenas de Dourados (MS) e Campinápolis (MT) provocaram comoção nacional e repúdio internacional. A reação mais enérgica veio da Anistia Internacional (AI), que divulgou, no dia 29 de março, o documento "Estrangeiros em nosso próprio país: povos indígenas no Brasil", que denuncia o crescimento da desnutrição infantil, dos suicídios em massa e dos assassinatos cometidos contra índios.A resposta do governo veio em seguida. A Fundação Nacional do Índio (Funai) declarou que, embora persistam "crônicos e seculares problemas incidentes sobre as comunidades indígenas", o governo vem trabalhando para auxiliar os índios a sanar problemas como o acesso à terra, o combate à pobreza e à desnutrição infantil. "Cerca de 12% do território nacional estão definitivamente reconhecidos como terras indígenas e o crescimento populacional destes povos nos últimos 30 anos é progressivamente superior à média nacional, numa demonstração de que há uma política indigenista consistente sendo conduzida pelo Estado brasileiro", diz a nota da Funai.
No Pará, a posição da Anistia provocou polêmica entre as lideranças
indígenas. Almir Suruí, representante da nação Suruí no Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), acha que a situação dos índios brasileiros tende a piorar. "Nada avançou nesta área, porque o governo não ouve as lideranças e sua ação frágil não consegue deter a invasão que os especuladores fazem em nossas aldeias", protesta. Maitran Kaiapó, morador da reserva dos Kaiapós, em Aurilândia do Norte (PA), discorda das críticas da AI. "A presença dos órgãos federais tem sido importante para assegurar a demarcação das nossas terras", afirma. Segundo ele, a atuação firme da Funai está contribuindo para a preservação territorial das áreas indígenas. "Quando madeireiros e posseiros tentaram invadir as nossas aldeias em Redenção e Tucumã, a presença da Polícia Federal, do Exército e do Ibama foi fundamental para impedir a violação do nosso espaço", completa.
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