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Funai promete cestas básicas e demarcação da Gleba Iriri até março

Gazeta de Cuiabá
Autor: Andréia Fontes
03 de jan de 2007

O administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Carlos Márcio Vieira Barros, se reuniu ontem com os índios da etnia Terena, que ocupam a sede do órgão desde o dia 28 de dezembro, e afirmou que os funcionários deixaram o prédio após saber que eles estavam indo para o local, com medo de serem sequestrados. A informação causou ainda mais mal estar, já que os índios não aceitaram a proposta feita pelo administrador e prometem continuar acampados.

Acompanhado pelo procurador da República, Marcellus Barbosa Lima, Carlos Barros prometeu aos índios a demarcação da Gleba Iriri, localizada na região de Peixoto de Azevedo, para o mês de março. Garantiu ainda, até o dia 20, a entrega de 4 toneladas de cesta básica. Entretanto, o administrador regional afirma que não tem como atender outras reivindicações por problemas orçamentários.

Entre os pedidos não atendidos está a assistência social à etnia no período de chuva. Como a etnia é dividida entre a Gleba e a comunidade Copenoti, distantes 180 km, os índios afirmam que no período de chuva não conseguem se deslocar para a pesca e a caça. Outro empecilho para a desocupação do prédio é que os índios querem quatro novos pneus para o caminhão que utilizaram para vir à Cuiabá. O administrador chegou a oferecer um ônibus para retornarem, mas eles não aceitam deixar o veículo.

Quanto à ameaça de sequestro, os índios refutam e afirmam que estão sendo discriminados pelo servidores da Funai. "Eles são discriminadores de índios ou não querem trabalhar? Nos dá a entender que se qualquer terena chegar na cidade eles não vão vir para o serviço", questiona o cacique Cirênio Terena, que se propôs a deixar o prédio se arrumassem outro local para ficarem até chegarem a um acordo.

Segundo Carlos, os servidores só vão retornar ao serviço quando os índios deixarem Cuiabá e disse que vai tentar conseguir os pneus. "No final de 2004, eles estiveram aqui e sequestraram os servidores. Por isso, agora todos abandonaram o trabalho". O cacique diz não ver a atitude de 2004 como um sequestro. "Só pedimos para todos os funcionários ficarem até resolver as questões em Brasília, já que aqui disseram que não iam nos atender".

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