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Funai levanta necessidades dos Enawenê Nawê após incêndio

Funai - http://www.funai.gov.br/
02 de set de 2011

Uma equipe formada por servidores da Fundação Nacional do Índio (Funai), da Defesa Civil e da superintendência de assuntos indígenas do estado de Mato Grosso chegou nesta quinta-feira, à noite, da Terra Indígena Enawenê Nawê, onde foram levantar as necessidades da comunidade após o incêndio do último domingo (28). O fogo, que queimou sete das 15 casas da aldeia, deixou quatro feridos. O mais grave foi levado para o município de Brasnorte (MT) mas não corre risco de morte. Os outros três se recuperam na aldeia e passam bem.

De acordo com Luiz Carlos da Silva Junior, indigenista especializado da Funai e coordenador substituto da Coordenação Técnica Local de Juína/ Enawenê Nawê, o fogo começou enquanto a comunidade queimava o lixo, uma prática de saneamento muito comum na aldeia. O fogo se espalhou rapidamente consumindo metade das casas, deixando cerca de 300 indígenas desabrigados.

Todos os bens que estavam nas malocas queimadas foram perdidos, como redes de dormir, vestimentas tradicionais e roupas que eles usam para ir à cidade. A perda mais significativa, no entanto, segundo Silva Júnior, foram os alimentos que ficam armazenados nas casas. Com isso, metade da produção da aldeia foi perdida. Os documentos também foram queimados, incluindo os cartões de banco para retirada de benefícios como aposentadorias, pensões e auxílio maternidade.

No primeiro momento, a Funai, com apoio da Defesa Civil e da superintendência de assuntos indígenas do estado, levou alimentos, lonas, e algumas ferramentas básicas para o início da reconstrução. Foram 500 kg de frango e outros itens, como batata e macarrão. Na próxima semana, a Funai finalizará um plano de trabalho para a recuperação da aldeia.

Os indígenas já estão buscando a madeira próximo à aldeia para refazer a estrutura das casas, mas precisam de combustível para retirar a palha do buriti, que cobre as malocas. A palha só é encontrada numa área distante da aldeia, cerca de 3 horas de barco.

A maior preocupação do grupo agora é com a questão espiritual. Alguns objetos importantes, como as máscaras que usam no ritual para alegrar os espíritos, foram queimados, e eles temem pela vida do povo. Segundo a crença, quando falta alimento e quando falta o ritual com esses objetos, os espíritos ficam descontentes. Uma nova máscara não pode ser construída nessa época, pois ela tem um momento certo para ser confeccionada.

Na aldeia Enawenê Nawê vivem cerca de 600 pessoas. A Terra Indígena fica entre os municípios de Juína, Sapezal e Comodoro, no vale do Rio Juruena, noroeste de Mato Grosso.

http://www.funai.gov.br/ultimas/noticias/2_semestre_2011/setembro/un201…

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