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Funai e CIR divergem sobre ampliação de pista de pouso

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
23 de Fev de 2005

No ponto de vista da administração regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), a realização da obra é vista como mais um passo para o desenvolvimento da região e dos povos indígenas Yanomami.
O administrador regional da Funai, Gonçalo Teixeira dos Santos, disse que está em contato com os responsáveis pela execução da obra e informou à Folha que todos os trâmites estão seguindo normal.
"Sabemos que os estudos estão sendo feitos e várias reuniões realizadas com as lideranças indígenas. A fundação é absolutamente a favor do que trouxer benefícios para os povos indígenas, desde que eles aceitem", disse.
"Até mesmo porque a pista reformada e ampliada vai ser de grande utilidade não só para o Exército, mas também para a própria Funai, Funasa [Fundação Nacional de Saúde] e outros órgãos que trabalham diretamente com os povos Yanomami", complementou Gonçalo.
ABUSO - Para o presidente do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Marinaldo Justino Trajano, a obra é considerada um abuso, um desrespeito à Constituição Federal, uma vez que as terras já são homologadas e pertencem ao povo Yanomami, restringindo ações como esta dentro da área.
A preocupação do CIR é que, uma vez ampliada a pista, o Exército resolva construir outro quartel ou outra estrutura na reserva. Para Marinaldo, é necessário que ocorram mais discussões em torno do assunto.
"Os povos Yanomami sofrem até hoje as conseqüências na saúde e na educação indígena devido à interferência do homem branco naquela região. É inaceitável que se construa qualquer outra obra que venha trazer mais prejuízo para a população, principalmente com relação às doenças", destacou. ( T.B. )

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