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Funai decide pela permanência de administradora

Dourados Agora
02 de Mar de 2008

A administradora regional da Funai Conesul, Margarida Nicoletti, confirmou ao Douradosagora, sua permanência no cargo. Segundo ela, a decisão foi comunicada via telefone na última quarta-feira pela presidência da fundação em Brasília.

Nicoletti conta que a partir da decisão, reuniu grupos de funcionários para fazer uma limpeza na sede da Funai em Dourados, que estava fechada, desde terça-feira, após protestos de indígenas que exigiam substituição da administradora.

Margarida disse em primeira mão ao Douradosagora que pretende denunciar na Polícia Federal o furto de pelo menos 11 sacos de feijão, entre outros alimentos, além da depredação, que teria acontecido no local durante os protestos. "Eles vão ter que responder pelas ações. A Funai não vai tolerar vandalismo. O índio tem direitos e deveres", conta.

Segundo Nicoletti o problema começou quando um grupo isolado de indígenas começou a exigir maquinários e diesel para a colheita da soja. "A linha do projeto da Funai é atender famílias que cultivam a cultura de subsistência, ou seja, apoiar as comunidades mais pobres, sempre respeitando a cultura do índio. O plantio da soja não faz parte das tradições indígenas. Se eles querem plantar, podem, mas estão cientes que a Funai não poderá fazer muita coisa para ajuda-los. Este projeto será cumprido por qualquer administrador. Mesmo que eu deixasse o cargo, nada mudaria neste sentido", afirma, observando que chegou a colocar o cargo a disposição da direção da Funai, que decidiu mantê-la.

As próximas ações, segundo a administradora é manter os projetos, como eles estavam sendo realizados. "Vamos continuar nos deslocando para as aldeias e dialogando com os indígenas, como já estávamos fazendo", conta.

Quanto a decisão da Funai de não liberar os maquinários, Nicoletti afirma que nada será alterado. "A Funai não vai voltar atrás. Os indígenas, que encabeçaram os protestos, não representam os 40 mil indígenas que atendemos. Eles precisam entender que a Funai não vai atender grupos desorganizados", alerta.

A administradora disse ainda que por conta do fechamento da Funai, mais de 3 mil cestas básicas não foram distribuídas na região sul do Estado, não houve serviços de atendimento social e jurídico, além da Funai não realizar os pagamentos de fornecedores. A Funai volta a atender normalmente a partir desta segunda-feira.

Conforme noticiou o Douradosagora, o protesto mobilizou 200 índios. A queixa principal da categoria é que nas aldeias de Dourados, Jaguapiru e Bororó, 500 alqueires de milho e soja estão aptos para iniciar a colheita e a administradora não permitia que colheitadeiras de terras vizinhas fizessem o serviço. "Só porque somos indígenas temos que fazer o trabalho manual" criticou o indígena Lucas Paiva. (Colaborou Valéria Araújo)

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