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Fronteiras já estão 'vivas'

A Crítica-Manaus-AM
19 de Fev de 2003

Dionito José de Souza Macuxi, que mora na área indígena da Raposa Serra do Sol, estava satisfeito por ter a oportunidade de colocar para os militares problemas os problemas que seu povo enfrenta todos os dias. No entanto, ele disse ter ficado triste porque a proposta de retirada da base militar da aldeia Uiramutã não foi recebida com entusiasmo pelos militares. "Nós não vemos motivos para o exército entrar lá. A gente está vendo que essa é uma estratégia para não homologar nossa terra. Passamos sofrimento com garimpeiros, fazendeiros, políticos e agora vem o exército", disse Dionito.

Segundo ele, o argumento de que a construção de base na aldeia é uma questão de defesa não convence os índios. "Quando disseram que querem vivificar as áreas de fronteira, nós ficamos chateados porque parece que a gente não serve para nada. Nós, povos indígenas, estamos lá, também sabemos vigiar as fronteiras". O secretário-executivo do Cimi, Egon Heck, também lembrou que apesar da boa vontade dos militares, não foi possível avançar muito em pontos chave da discussão. "A reunião de ontem foi um passo, que tem validade, mas que só terá valor efetivo no avanço da relação quando questões fundamentais forem efetivamente consideradas: revisão do Calha Norte, a retirada dos militares das áreas indígenas e a revogação do decreto 4.412", disse Heck.

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