O Estado de São Paulo - São Paulo - SP
Autor: Edson Luiz
25 de Mar de 2001
Isenção de impostos para plantadores de soja deve trazer mais problemas à região
Em Roraima, existem duas facções que há anos não se entendem: a favorável aos índios e a contrária à causa. Nos últimos meses, o confronto entre as alas foi ameno, ao contrário de tempos atrás, quando quase todos os muros de Boa Vista, capital do Estado, eram pichados por um dos dois lados com motivos agressivos contra os adversários.
Do lado favorável ao índios estão a Fundação Nacional do Índio (Funai), Arquidiocese de Boa Vista, Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e o Conselho Indígena de Roraima (CIR). Na facção opositora estão empresários, fazendeiros e uma parte do governo do Estado, que até tentou diminuir os impactos do confronto criando uma secretaria exclusiva para atender os índios.
O principal motivo do confronto não é a área ianomâmi, uma das maiores reservas indígenas do mundo, mas Raposa-Serra do Sol, onde vivem diversos grupos indígenas, predominando dos macuxis e iuapixama, que também estão em outras regiões do Estado. Até mesmo nas prefeituras: em pelo menos três cidades eles são prefeitos ou vices. Há também um grande número de vereadores.
Tanto governo quanto índios admitem que o maior problema ainda está para chegar, com a abertura da fronteira agrícola. O Estado está dando benefícios a plantadores de soja, principalmente do Centro-Oeste do País. Quem quiser investir em Roraima terá isenção de impostos por até 20 anos, mas para isso precisará de estrutura e dinheiro.
Para os índios, a abertura do mercado agrícola pode trazer problemas como ocorreram em Rondônia, onde grupos foram dizimados pelos brancos e agricultores foram trucidados pelos índios. A experiência, segundo representantes do CIR, pode ser traumática pelo fato de a cultura da soja não durar por muito tempo. O risco é aumentar o grande número de desempregados, a maioria ex-garimpeiros, expulsos das áreas indígenas nos últimos anos.
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