CB, Mundo, p. 20
18 de Nov de 2003
Fracassa meta de reduzir índice de pobreza em 50%
Número de pobres irá crescer na América Latina. De 18 países da região, apenas seis atingirão expectativas. Em alguns, situação irá piorar
Jefferson Rudy
Sandra Lefcovich
Da equipe do Correio
Os países da América Latina e do Caribe não cumprirão as metas da Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir metade da pobreza na região até 2015. Ao contrário, o número de pobres aumentará, afirmou ontem Evelin Herfkens, coordenadora da ONU da campanha dos objetivos de desenvolvimento do milênio.
Diminuir a pobreza é uma das oito metas estabelecidas na Cúpula do Milênio de 2000, aprovadas pelos 191 países-membros. Segundo dados da ONU, de 18 países latino-americanos, apenas seis cumprirão as metas: Chile, Colômbia, Honduras, Panamá, República Dominicana e Uruguai. Em outros seis países, entre eles o Brasil e o México, a pobreza extrema será reduzida, "mas muito lentamente". Já na Bolívia, Paraguai, Peru, Equador e Venezuela a previsão é de piora do quadro atual.
Presidentes, ministros, parlamentares e representantes de organismos internacionais e da sociedade civil se reuniram ontem em Brasília para discutir as metas e buscar consensos políticos para implementá-las. Herfkens afirmou que a insatisfação com a democracia é cada vez maior na América Latina. "A democracia não é apenas votar de quatro em quatro anos, mas ter políticas que satisfaçam as demandas da população", considerou. Para ela o Estado está nas mãos das elites e os pobres não têm voz na região.
A coordenadora da ONU disse ao Correio Braziliense que, para mudar esse quadro, é preciso
aplicar políticas que diminuam as desigualdades sociais. "0 caminho para isso é que os pobres tenham acesso a créditos e terras e que o Estado aumente os investimentos públicos", explicou.
Sobre o Brasil, Herfkens afirmou que vê um compromisso real do governo com a redução da pobreza. "O desafio é transferi esse compromisso para as ações de governo", avaliou. Ela admite que leva tempo. "Mas se o Brasil for bem sucedido, o mundo vai delirar. Não só a América Latina, mas a África também".
0 presidente da Guiana, Bharrat Jagdeo, deu uma mostra desse
entusiasmo. "0 Brasil tem um papel único a desempenhar", disse. "E está liderando esse compromisso de construir um consenso em torno das metas estratégicas de redução da pobreza".
Jadgeo afirmou que apóia a candidatura brasileira a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, para que a voz dos países em desenvolvimento seja ouvida na hora de decidir as guerras. E criticou os gastos militares, pois há "recursos escassos que são desperdiçados".
Otimismo
Há mais otimismo da ONU com o cumprimento das outras metas do milênio, como o com a AIDS, a redução da mortal de infantil, a promoção da igualdade entre os sexos.
0 secretário-geral adjunto; para Assuntos Econômicos Sociais da ONU, José Antônio Ocampo, declarou que não pode identificar a luta cone pobreza com o aumente crescimento econômico, destacou a importância de reduzir as desigualdades sociais "A política econômica é a principal ferramenta na luta contra a pobreza e a desigualdade" observou. Para ele, atingir a meta não depende apenas de orientações da política social.
CB, 18/11/2003, Mundo, p. 20
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