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Forum de ONGs vira palco de ataques ao governo

OESP, Nacional, p.A8
14 de abr de 2004

Fórum de ONGs vira palco de ataques ao governo
FELIPE WERNECK
RIO - O professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fernando Cardim de Carvalho classificou a administração petista de reativa, durante reunião da Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong). Realizado ontem no Rio para avaliar a gestão do PT, o encontro transformou-se num fórum de críticas ao governo.
Segundo Carvalho, há dois discursos antagônicos: "O governo está no pior dos mundos e não aponta para lado nenhum, porque para isso ele teria que escolher um lado."
Ele disse que as iniciativas do governo são, na verdade, motivadas por reações. "A legitimação do governo estava na sua capacidade de recuperar a economia e restaurar o pleno emprego, mas à medida que ele não consegue atingir isso fica sujeito ao suborno. Ou seja, os grupos que tiverem maior força de pressão conseguem favores. Só que isso é a antítese da política de desenvolvimento."
Cardim considera "extremamente arriscada" a forma de condução do governo e afirma que Lula pode acabar como o de Fernando De la Rúa. "Esse é o risco que devemos manter em mente. O presidente do país não é um presidente de sindicato. Ele não está ali para colocar as pessoas em volta de uma mesa para negociar, mas para dizer para onde a gente vai", disse o economista. "O presidente não é um árbitro, mas é um líder, que tem que dizer para onde a gente vai, porque a gente está pagando o preço pelo presente, qual é o ganho no futuro. Isso é que provoca a paralisia do governo e foi o que acabou com o De la Rúa, quando se mostrou incapaz de dizer para onde ia. Torço para que tenhamos certa distância, mas o relógio está correndo. Volto a insistir: um ano e quatro meses é muito tempo."
Como alternativas, ele sugeriu medidas de curto e longo prazo para recuperar o emprego. "A saída é uma política fiscal voltada para investimentos e uma política monetária, como a americana, com metas de inflação e desemprego."
O presidente da Abong, Jorge Durão, disse que o governo não tem "senso de urgência". "É preciso pisar o pé no acelerador das mudanças sociais, contrariando interesses, sobretudo daqueles que ganham há anos com a acumulação financeira. O governo Lula faz o contrário", avalia. "Se o presidente Lula não despertar a tempo para o significado da reversão de expectativas que o seu governo representa, o que virá no futuro deste país?"

OESP, 14/04/2004, p. A8

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