OESP, Vida, p. A24
29 de Set de 2005
Formiga poupa só uma árvore no jardim do diabo
Henry Fountain
The New York Times Nova York
Na Amazônia peruana, há uma formiga que é uma impressionante paisagista. Elimina todas as espécies de árvores da área da floresta tropical, menos uma. Esta é a descoberta de Megan Frederickson, da Universidade de Stanford (EUA), que estudou o que na região é conhecido como "jardins do diabo", áreas onde cerca de um terço é dominado quase totalmente por um tipo de árvore, Duroia hirsuta.
Reza a lenda que tais áreas são trabalho de um espírito da floresta. Os cientistas tinham duas teorias: a própria D. hirsuta seria responsável, ao produzir um solo tóxico para outras espécies, ou a culpada seria uma formiga que vive em cavidades nas árvores, a Myrmelachista schumanni.
As observações de Frederickson mostraram que a responsabilidade é das formigas, que atacam os brotos das outras espécies de árvores, injetando ácido fórmico nas folhas.
Outras formigas usam essa substância para matar parasitas ou predadores. Mas a M. schumanni é a primeira a usar o ácido como herbicida. "Elas atacam as plantas da mesma forma que outras formigas da sua família atacariam outro inseto", explica. "Elas agarram o tecido com as mandíbulas, fazem um buraco, enfiam o abdome e soltam algumas gotas." Os brotos perdem a maior parte das folhas em cinco dias e morrem em semanas. Segundo Frederickson, elas parecem usar sinais químicos para determinar quais espécies atacar.
O comportamento beneficia tanto a árvore quanto a formiga. Sem concorrentes, a D. hirsuta consegue mais luz e nutrientes. E quanto mais o "jardim do diabo" se expande, mais espaço têm as formigas.
Colônias da M. schumanni podem ser imensas, com 1 milhão ou mais de trabalhadoras e cerca de 15 mil rainhas, e podem existir por séculos. Uma área com 351 árvores é cuidada pela mesma colônia há mais de 800 anos.
OESP, 29/09/2005, Vida, p. A24
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