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Forças Armadas levam 23 mil à Amazônia

Estado de S. Paulo- (São Paulo-SP)
Autor: GODOY, Roberno
11 de dez de 2002

Farc, narcotráfico e exploração clandestina explicam maior movimento de tropas desde 1870

A Amazônia está sob risco e a defesa dessa área de 5,5 milhões de quilômetros quadrados é a primeira prioridade das Forças Armadas do Brasil.

Em 5 anos, e concentradamente nos últimos 18 meses, o número de soldados na longa linha de fronteira com os sete países da região cresceu de 3,3 mil para 23,1 mil, tamanho do contingente em setembro. É o maior remanejamento de tropas realizado no País desde 1870.

Todo o processo e suas implicações estratégicas estão contidos em um conjunto de documentos do governo federal sob a denominação geral de "Política Militar de Defesa Nacional". O conteúdo foi apresentado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso a seu sucessor, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. O estudo demarca como área de tensão os 12.130 quilômetros de divisas e como fronteira quente os 1.600 quilômetros de limites com a Colômbia.

A ameaça é representada pela guerrilha colombiana das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pelo narcotráfico, pela exploração clandestina de recursos naturais e pelo cenário de instabilidade potencial em alguns dos países da região.

A transferência de uma unidade completa do porte de uma brigada de infantaria - obras civis da nova base, compra de equipamentos, instalação dos militares, operações de mudança e da infra-estrutura - custa R$ 300 milhões. De acordo com um oficial do Estado Maior do Comando Militar da Amazônia, com sede em Manaus, "há ainda o preço político a pagar: a comunidade de onde sairá a tropa protesta, mobiliza políticos e com isso atrasa os procedimentos". O aumento dos quadros na Amazônia brasileira ainda não terminou. Nos próximos três meses serão deslocados outros 3 mil homens da Vila Militar do Rio de Janeiro, das guarnições do Ceará e do Rio Grande do Sul.

Os serviços de inteligência militar detectaram o estabelecimento de uma Frente Brasil das Farc com grupamentos de elite dispostos em oito diferentes pontos da fronteira no sentido norte-sul, desde Mitu até proximidades de Letícia. O relatório destaca que se trata de guerrilheiros experimentados em combate, especializados em missões de reconhecimento. Sua tarefa básica é manter abertas linhas de acesso a suprimentos, munições e refúgios na selva em território brasileiro.

Conflito - "Com freqüência alguns feridos a tiros de fuzil calibre militar 7,62 milímetros são atendidos nos hospitais de São Gabriel da Cachoeira e da Missão Evangélica. Todos têm documentos regulares e se dizem vítimas de agressores não-identificados", afirma o oficial do CMA. Os comandos rebeldes das Farc somam cerca de 350 homens e mulheres. Sem acampamentos fixos, em grupos de 43 combatentes, permanecem a 50 quilômetros de distância da fronteira. Contam sempre com duas possíveis rotas de movimentação: um rio e uma picada aberta na mata e camuflada.

Nos últimos meses o CMA registrou a presença em contatos definidos como "sem fogo" ao longo dos eixos fluviais que permitem acesso aos complexos de Caquetá e Guaviare. Há seis dias um choque entre tropas colombianas com cobertura da aviação militar, a apenas 10 quilômetros do território brasileiro, deixou 40 mortos. Por conta desse episódio foram intensificados os vôos patrulha armada e vigilância da Força Aérea Brasileira na área. Os 25 radares do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) coordenam as operações.

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