OESP, Metrópole, p. C8
28 de Fev de 2007
Força-tarefa para deter invasões na Serra do Mar
Serra cria grupo chefiado por ex-comandante da PM, que contará com trabalho integrado de 2 secretarias
Carlos Marchi
O coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante da Polícia Militar na gestão Alckmin, será o coordenador geral das ações do governo estadual para acabar com as invasões no Parque da Serra do Mar. Na segunda-feira, o governador José Serra promoveu uma reunião da força-tarefa e apresentou Eclair aos secretários Xico Graziano, do Meio Ambiente, e Lair Krahenbühl, da Habitação, além de um grupo de técnicos de várias áreas.
A escolha do coronel Eclair não foi gratuita. O seu perfil é adequado para comandar a remoção das invasões e enfrentar um grave problema de fundamento tipicamente policial - a presença cada vez mais acentuada de organizações criminosas nas áreas invadidas de Cubatão, principalmente na invasão chamada Água Fria, situada às margens do Rio Cubatão, próximo à captação da água que abastece o município.
Relatórios confidenciais do governo comprovam a presença dessas organizações criminosas - inclusive o PCC. Ambientalistas que operam nas invasões confirmaram a informação e aduziram outra: funcionários do Instituto Florestal têm manifestado medo de transitar perto das invasões e revelaram ameaças que constantemente recebem de criminosos.
A avaliação da polícia é de que as invasões são redutos perfeitos para essas facções criminosas, pelas proximidades estratégicas da Via Anchieta (que lhes facilita a mobilidade) e da mata (que lhes permite fuga rápida e esconderijo seguro). O segundo aspecto que levou à indicação de Eclair é a sua formação: engenheiro, manejará facilmente as diversas obras e providências técnicas na remoção. Como primeiro passo, a Secretaria de Habitação vai contratar em regime de urgência um levantamento aerofotogramétrico da região, como informou o secretário Lair Krahenbühl ao Estado anteontem.
O levantamento atingirá as áreas de mata atlântica de todos os municípios da Baixada e do litoral norte. Com isso, o governo disporá de dados técnicos que darão a exata dimensão do problema e servirão, mais à frente, para identificar os barracos preexistentes (cujos moradores serão beneficiados com habitações populares em outro local).
Para começar, a Polícia Ambiental proibiu a entrada de caminhões com materiais de construção nas invasões, para impedir a construção de barracos. Mas , apesar da providência, as árvores da mata atlântica continuam caindo: no mês de janeiro, a Polícia Ambiental lavrou 27 autos contra derrubada de vegetação nas encostas.
O passo seguinte do governo será construir caminhos de serviço no entorno das atuais invasões. Esses caminhos servirão como delimitadores da atual amplitude da invasão e, também, permitirão a passagem livre e franca dos serviços do Estado - veículos da polícia, da Polícia Ambiental, ambulâncias e bombeiros. Depois, o governo fará um novo cadastro dos moradores das invasões. A última etapa será a construção de habitações populares para onde os moradores serão removidos.
OESP, 28/02/2007, Metrópole, p. C8
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