Brasil Norte-Boa Vista-RR
15 de Jul de 2003
Cotado para ocupar um ministério de Lula, o senador Jucá começa colher os frutos de sua união ao Palácio do Planalto, depois de agregar-se ao PMDB.
Ele nega, mas a escolha de Antônio Nantes para presidir a Funai, no lugar do bestunto e falastrão Eduardo Almeida, teve sim um empurrão, por menor que seja, do cacique roraimense.
Ex-deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e ex-secretário de finanças de Teresa Jucá na primeira gestão, Nantes teve seu nome confirmado ontem pelo ministro Márcio Thomaz Bastos.
Eduardo caiu em desgraça por sua fixação em falar besteiras. Além do mais era acusado de ser um administrador sem pulso firme no comando da fundação. Integrantes da oposição o acusavam de aparelhar a Funai, com a indicação de superintendentes regionais afinados com as idéias do Conselho Indigenista Missionário.
A substituição, contudo, poderá gerar uma romaria de índios a Brasília. A causa seria a ligação de Nantes com o amigo Romero Jucá. Representantes do Cimi mandaram emissários para avisar ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que discordam da indicação.
O senador se mostrou surpreso com a notícia, nega qualquer influência na possível indicação do futuro presidente da Funai, mas confirma a amizade de ambos.
"Não pretendo me envolver na troca de comando na Funai. Já tenho problemas demais para resolver na minha vida. Além disso, um posto tão delicado não é o ideal para indicar alguém que consideramos amigo" - ironizou Romero Jucá.
Fortalecido
Com a ascensão de Nantes para a Funai, quem sai fortalecido é senador Jucá.
Foi o advogado Nantes quem defendeu o senador no rumoroso processo de desvio de dinheiro público e formação de quadrilha na Fundação Roraima, entidade com fins filantrópicos de onde mais de R$ 1,2 milhão foram desviados, conforme apurou o Tribunal de Contas da União.
Além do mais o ex-secretário de Teresa é pessoa de confiança de Romero.
Reações na ponta
A notícia da troca de comando na Funai assanhou o vespeiro no CIMI, o braço ideológico da Igreja na causa indígena.
O secretário executivo do órgão, Egon Dionísio Heck, que costuma espetar a todos sem piedade, reagiu com indignação:
- A sistemática nada mudou dos governos anteriores, ou seja, a indicação de um nome, ignorando qualquer diálogo com o movimento indígena. Em segundo lugar insistir na trajetória notadamente falida e sem qualquer possibilidade de êxito, que é simplesmente mudar a presidência da Funai.
E completa: "Além disso, o nome que tem circulado - Antonio Carlos Nantes de Oliveira - tem sido identificado com interesses de políticos e parlamentares de Roraima, que por sua vez sempre tiveram uma postura agressivamente anti-indígena".
Aldeia globalizada
Impressiona realmente o arrojo das entidades diretamente ligadas ao tumultuado processo de demarcação de reservas indígenas em Roraima.
Grande interessado na esterilização das comunidades, mantendo-as intocadas, o CIMI abusa nos arroubos.
Sua página na internet contente informações de Roraima estão disponíveis em vários idiomas.
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