Jornal do Commercio-Manaus-AM
22 de Jul de 2005
Apesar de possuírem a maior bacia hidrográfica da Terra, os amazonenses sempre tiveram um sonho: ter uma ligação terrestre do Estado com o restante do país. Com a criação do PIM, a questão logística tornou-se crucial, um imperativo para assegurar a sobrevivência das empresas no longo prazo, considerando que custos de transporte são o calcanhar-de-Aquiles da competitividade do setor industrial. Assim, foi muito importante o encontro mantido em Brasília, na quinta-feira passada, no Ministério dos Transportes, no gabinete do ministro Alfredo Nascimento, em defesa da rodovia BR -319 que liga Manaus a Porto Velho.
Organizado pelos vereadores Irailton Sena, Fabrício Lima e Sildomar Abtibol, o ato pela recuperação da BR- 319 foi prestigiado maciçamente pela bancada parlamentar, inclusive federal, dos Estados da Amazônia Ocidental, à exceção da representação do Acre, em razão da coincidência de data com um evento político que se realizou em Rio Branco. Ao encontro - ocasião em que se formalizou o Fórum de Defesa da Rodovia BR- 319 - compareceram, além de políticos, a superintendente da Suframa, Flávia Grosso, e representantes das entidades empresariais do Amazonas (Cieam, Fieam, Aficam e CDL).
Houve ampla e entusiástica manifestação dos presentes, que enfatizaram o papel estratégico da rodovia para a logística da Amazônia Ocidental, favorecendo a competitividade do PIM. Foi ainda mencionado o papel de integração regional da rodovia, quando plenamente trafegável. Além da função desenvolvimentista, a BR -319 poderá ser um "upgrade" na logística da ZFM. Há, contudo, dois aspectos importantes que devem ser considerados. O primeiro é a questão da conservação de rodovias em uma região de altíssima precipitação pluvial. As estradas são, na maioria das vezes, construídas pelo governo sem a qualidade técnica desejável para suportar cargas pesadas e as rigorosas intempéries típicas dos trópicos; e, sem conservação, as estradas se tornam em pouco tempo intransitáveis. Muitos são os exemplos. Aí reside uma das vantagens econômicas dos rios - estradas que andam.
O segundo, refere-se ao impacto no meio ambiente. As rodovias na Amazônia (veja-se o exemplo do que ocorreu no sul do Pará) estimulam a geração de um processo de degradação ambiental: facilitam a ação dos madeireiros ilegais, dos "grileiros" de terras e dos garimpeiros, ensejando queimadas e práticas agrícolas primitivas. São problemas sensíveis que devem ser levados em conta pelo poder público para evitar a repetição do dano ambiental que ocorreu em alguns pontos da região. Vale lembrar que a natureza ambientalmente correta do modelo tem sido o grande escudo que vem defendendo (e justificando) a existência da ZFM.
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