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Fogo vira ameaça na resistência indígena

Amazonas em Tempo-ManausAM
Autor: Márcia Daniella
21 de Jan de 2005

Depois de receberem o despacho da juíza Raquel Chiarelli determinando a reintegração de posse do prédio da Fundação Nacional do Índio (Funai), instalado na rua Maceió, Adrianópolis, os 340 indígenas que permanecem no local há dezoito dias ameaçaram incendiar ontem a sede da instituição órgão caso a Polícia Federal iniciasse o processo de retirada dos índios. Durante toda a tarde eles permaneceram armados com arcos e flechas, pedaços de madeira e até armas tradicionais que são usadas com veneno que pode levar à morte. "Estamos preparados para tudo. Enquanto não atenderem nosso pedido que é a retirada Rangel, ficaremos aqui", diz Benjamin Baniwa, um dos líderes do movimento.

Numa forma de chamar a atenção, os indígenas queimavam papelão como sinal de que o manifesto poderia se tornar mais agressivo. Na porta do prédio, uma espécie de boneco feito com estopa com uma corda amarrada no pescoço simbolizava o presidente regional da Funai, Benedito Rangel, motivo principal da revolta dos índios.

Outro material que os manifestantes guardavam para ser utilizado na hora da chegada da Polícia Federal - quel não apareceu até às 18h45, momento em que a equipe de reportagem se retirara do local -, foram pneus velhos e caixas de isopor, os quais podem queimar com facilidade.

O presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab), Gecinaldo Barbosa, contou que a decisão de enfrentar, seja lá de que forma for, a Polícia Federal para não deixar a sede da Funai, foi de todos as 71 lideranças, isso depois de discutirem as dimensões de suas reivindicações em assembléia geral. "As negociações não avançaram porque as reivindicações não foram respeitadas. "Eles estão vendo a força de um movimento indígena. A Funai vai apoiar, espero que não aconteça uma tragédia. Existem em torno de 40 crianças aqui", diz.

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