OESP, Geral, p.A16
Autor: CLINTON, Bill
06 de Ago de 2004
Florestas americanas podem estar a caminho da ruína
Bill Clinton
Especial para Los Angeles Times
Há um século, Theodore Roosevelt advertiu contra a destruição do meio ambiente dizendo "desperdiçar, destruir nossos recursos naturais, esfolar e exaurir o solo em vez de usá-lo de forma que sua utilidade seja aumentada resultará em solapar na época de nossos filhos a própria prosperidade que devemos por direito entregar-lhes amplificada e desenvolvida". Como presidente, trabalhei arduamente para obedecer esse aviso.
Com o apoio ativo de 1,5 milhão de cidadãos, em janeiro de 2001, meu governo emitiu a Roadless Area Conservation Rule (Lei de Preservação da Área Sem Estradas) para restringir a derrubada e o transporte de madeira e o desenvolvimento em quase 24 milhões de hectares de florestas nacionais onde ainda não havia estradas construídas. O Conselho de Defesa dos Recursos Naturais considerou essa a mais importante medida de preservação florestal do século passado.
Mas agora essa lei enfrenta uma ameaça. Nas últimas semanas, o governo Bush anunciou sua proposta para eliminá-la, preparando o cenário para o corte de árvores e a construção de estradas nas florestas da nossa terra. A administração alega que as florestas podem ser protegidas mesmo sem a lei.
Contudo, segundo sua proposta, a atual política seria fragilizada, pois os governadores terão de fazer uma petição ao Serviço Florestal para manter determinadas florestas sem estradas - ignorando a realidade política de que poucos governadores tendem a resistir à pressão das madeireiras e a outros interesses especiais para preservar florestas nos seus Estados.
Os opositores da norma relativa às regiões sem estradas argumentam também que esta eleva o risco de incêndios florestais. Isso está errado porque a norma concede especificamente ao Serviço Florestal dos Estados Unidos poder de construir estradas, combater incêndios ou diminuir o adensamento de uma área para reduzir o risco de incêndios. E nós todos sabemos por experiência que a maneira de minimizar riscos é aplicar recursos federais para reduzir riscos nas proximidades de moradias e comunidades, e não derrubando árvores em terras do sertão. A lei de proteção a regiões sem estradas estabelece um equilíbrio entre o meio ambiente e a economia.
A rede rodoviária florestal já é oito vezes maior que o sistema rodoviário interestadual. E nossa lei permite que a derrubada de árvores e outras atividades comerciais prossigam em mais da metade das terras florestais nacionais. Na realidade, o suprimento de madeira que foi considerado proibido para a indústria madeireira representa apenas um quarto de 1% do que o nosso país agora produz.
As terras inexploradas que estão agora protegidas pela lei para áreas sem estrada são um presente frágil e de valor inestimável para todos os americanos. Uma vez perdidas, terão se ido para sempre. Na verdade, a única razão pela qual essas florestas existem ainda hoje é porque nossos antepassados tiveram a sabedoria de saber que precisavam ser preservadas. Ao promulgar a lei para regiões sem estradas, os Estados Unidos renovaram seu compromisso com a salvaguarda desses tesouros naturais para as futuras gerações.
As florestas nacionais americanas são fontes essenciais de água limpa e ar limpo e são refúgios para a vida selvagem. Mais do que isso, são templos para a renovação do espírito humano. Um dos americanos que inspirou Theodore Roosevelt a preservar nossas florestas foi o naturalista John Muir, que uma vez disse: "Todo mundo precisa de beleza assim como de lugares para se descontrair e rezar, lugares onde a natureza pode confortar e fortalecer o corpo e a alma." No mundo acelerado e de alta tecnologia de hoje, as palavras de Muir são ainda mais convincentes. Ao anunciar a Lei de Conservação de Áreas sem Estrada, eu disse: "Às vezes, o progresso vem com a expansão de fronteiras. Mas outras vezes, é medido pela preservação de fronteiras para nossos filhos."
A lei para regiões sem estradas surgiu após a maior avalanche de apoio popular na história da legislação federal. O povo americano tem uma nova oportunidade e uma responsabilidade de se manifestar mais uma vez.
Até 16 de setembro, o Serviço Florestal estará aceitando comentários sobre a proposta de Bush. Eu incentivo todos a fazerem que sua voz seja ouvida para assegurar que a América, a Bela continue tão bela quanto para as gerações que virão.
OESP, 06/08/2004, p. A16
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