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Floresta invade area da soja em Mato Grosso

GM, Agronegocio, p.A1, B12
10 de Out de 2005

Floresta invade área da soja em Mato Grosso
Baixa rentabilidade do grão, que deve perder 17,5% de área, estimula a produção de madeira.
O mesmo grão que não dá renda para o produtor está provocando uma corrida para o reflorestamento. Agricultores de Mato Grosso, estado com a maior safra de soja do País, estão trocando áreas de cultura do grão pelo plantio de eucaliptos, fornecendo lenha para aquecer os silos da commodity.
Apenas nesta safra, a superfície destinada ao reflorestamento crescerá 8% e chegará a 103 mil hectares - considerando-se somente os projetos financiados. A baixa rentabilidade da soja na região e a proibição do desmatamento - por um período de seis meses - estão influenciando a mudança de atitude dos produtores. Em Mato Grosso, estima-se que a área de soja vai encolher 17,5%, ou 1 milhão de hectares.
"É uma oportunidade de negócio porque há grande necessidade de madeira para a secagem dos grãos em Mato Grosso", diz Haroldo Klein, presidente da Associação de Reflorestadores do Estado de Mato Grosso (Arefloresta-MT). Além disso, segundo Rogério Monteiro da Costa e Silva, supervisor da Secretaria de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso, as áreas de florestas naturais - cujo desmatamento está proibido temporariamente - ficam longe da região produtora.

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Nesta safra, cujo cultivo das lavouras se inicia neste mês, a Agroverde Insumos Agrícolas, de Nova Mutum, vai destinar 16% de sua área de soja para o plantio de eucaliptos. E, em dois anos, 40% da superfície cultivável mantida pela empresa será tomada por florestas. Atualmente, a Agroverde tem 12 mil hectares destinados à soja. "Está muito mais rentável plantar floresta do que soja", explica Renato Alves de Freitas, gerente-administrativo da Agroverde Insumos Agrícolas.
Segundo Freitas, um hectare de eucaliptos rende o equivalente a 26 sacas (60 quilos) de soja, enquanto a renda obtida com o grão, na mesma superfície, está avaliada em 10 sacas. Isso apenas considerando o valor que o produtor recebe de adiantamento pelo cultivo da floresta, pois depois de cinco anos, a árvore pode ser podada e o agricultor obtém também receita com a venda da madeira.
Por exigência da legislação ambiental, as empresas que usam lenha precisam ter um equivalente do consumo em árvores plantadas e pagam produtores para isso. Depois que a planta entra em período de corte, paga-se também pelo desbaste. "Com a floresta, ganhamos duas vezes ou até mais, já que com o Protocolo de Quioto vamos ter lucro também com o resgate do carbono", diz Freitas. Além da utilização das plantas para lenha, a empresa pretende, posteriormente, usá-las para madeira e celulose. A empresa tem atualmente uma área de 60 hectares com eucalipto.
"O reflorestamento é mais uma alternativa de renda ao produtor", diz Gilberto Goellner, CEO da Sementes Girassol. Segundo ele, mesmo sendo um investimento de longo prazo, a rentabilidade é certa. A empresa está procurando parceiros para financiar um projeto de cultivo de 5 mil hectares de florestas para os próximos cinco anos em Jaciara (MT). "Vamos oferecer o projeto para investidores externos que queiram capturar carbono", diz Goellner. Atualmente, a Sementes Girassol tem apenas 50 hectares com eucalipto.
"Em regiões onde falta madeira é viável plantar florestas", atesta Fábio Meneghin, analista da Agroconsult. Segundo ele, considerando-se os custos de produção e os preços médios para a soja na próxima safra em Mato Grosso, a rentabilidade do grão será negativa em 5%.
Não só pequenas empresas estão apostando no reflorestamento. A Bunge, por exemplo, pretende ter 70 mil hectares - próprios ou de produtores parceiros - nos próximos cinco anos. A meta da empresa é ter 100% de sua necessidade de lenha com cultivo de florestas. Atualmente pouco mais da metade do consumo da empresa tem o equivalente plantado, o restante é adquirido de áreas reflorestadas. A empresa financia produtores e investe também em viveiros para o fornecimento de mudas de árvores nativas, para áreas de conservação, e espécies destinadas ao uso comercial.

GM, 10/10/2005, p. A1, B12

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