JB, Pais, p.A2
13 de Dez de 2003
Flamarion pede afastamento do PT
Governador fica fora do partido enquanto durarem investigações
Paulo de Tarso Lyra
BRASÍLIA - O governador de Roraima, Flamarion Portela, pediu ontem afastamento de noventa dias do PT, enquanto durarem as investigações da Operação Gafanhoto. Suspeito de envolvimento no desvio de R$ 320 milhões da folha de pagamento do Estado, Flamarion encaminhou o pedido ao Diretório Nacional do PT. - Quero, desta forma, poupar a direção do partido, bem como meus companheiros e companheiras, de constrangimentos - explicou o governador, na carta encaminhada à cúpula petista.
Flamarion defendeu uma investigação minuciosa, ''serena e imparcial'', para esclarecer os fatos, punir os responsáveis e tranqüilizar a opinião pública estadual e federal.
- Reitero que, em momento algum, fui omisso ou conivente com as irregularidades - garantiu o governador. Recém-filiado ao PT, o governador de Roraima disse que ''quer aprender a fazer política com o partido que respeita e admira, por colocar a ética acima de tudo''. Lembrou que, desde o primeiro dia útil como governador - 8 de abril de 2002 - ''enfrentou interesses poderosos e escusos incrustados na máquina administrativa do Estado''.
- Tenho certeza de que essas ações moralizadoras serão reconhecidas e a justiça será feita - acrescentou.
O presidente nacional do PT, José Genoino (SP), confirmou que, apesar de ainda não estar oficialmente protocolado, o pedido de afastamento temporário de Flamarion foi aceito. Para Genoino, a atitude dos petistas de Roraima, que incentivaram Flamarion a pedir a licença temporária, deve servir de exemplo para outros integrantes do partido. - Fazer o PT em Brasília, no Rio ou em São Paulo é fácil. Temos companheiros em Roraima que estão há mais de 20 anos lutando contra a corrupção no Estado, mostrando que o partido não é omisso - disse.
Genoino desafiou os petistas que cobram a expulsão de Flamarion a passar um tempo em Roraima acompanhando as investigações e ajudando na luta de combate à corrupção no Estado. O pedido de licença de Flamarion acontece na véspera da reunião do Diretório Nacional do PT. A esquerda do partido prometia intensificar as críticas contra o neopetista, pedindo uma atitude mais rigorosa da direção do partido em relação ao episódio.
- O PT não se envolve em investigações conduzidas pelo Ministério Público, Polícia Federal ou Receita Federal - esquivou-se Genoino.
JB, 13/12/2003, p. A2
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