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Flamarion e bancada unificam discurso e ações

Brasil Norte-Boa Vista-RR
Autor: IVO GALLINDO
14 de Jan de 2004

Conversa ontem pela manhã no Palácio Hélio Campos reuniu o governador e seis parlamentares federais

Bancada federal evidenciou durante a reunião com o governador estar indignada com a postura unilateral do governo Lula

A sintonia na postura da bancada federal e do governo estadual em relação ao poder central foi tema de reunião ontem entre o governador Flamarion Portela, os senadores Augusto Botelho (PDT) e Mozarildo Cavalcanti (PPS), e os deputados Chico Rodrigues (PFL), Luciano Castro (PL), Rodolfo Pereira (PDT) e Pastor Frankembergen (PTB). Ficou decidido que a bancada adotará uma posição de total independência ao governo Lula, indiferente às orientações partidárias, reflexo da decisão política do presidente em homologar em área única a reserva Raposa/Serra do Sol. O pedido era para que fosse excluído menos de 20% dos 1,687 milhão de hectares demarcados em 1998.

Na convocação extraordinária do Congresso, os parlamentares se absterão da maioria das votações ou se posicionarão contrários aos projetos. Votam favoráveis em alguns casos, desde que tenham interesse social como a 'PEC paralela' da reforma da Previdência. "Não é uma ruptura, mas um sinal de protesto", disse Mozarildo Cavalcanti.
Detalhou que não seguirá o governo Lula nas votações que não representem benefícios diretos aos cidadãos. De acordo com o líder do PPS no Senado, a sua posição na apreciação da reforma judiciária, por exemplo, será contra o desejo do Planalto. "Vou apoiar os pleitos dos segmentos representativos do Judiciário", antecipou o congressista.

Antes da reunião, Augusto Botelho salientou que já tinha uma postura crítica ao governo Lula. "Sempre mantive independência, votando de acordo com a minha consciência e com os interesses do Estado. Votei contra a reforma previdenciária e não concordo com nada que acarrete em aumento da carga de impostos", frisou o pedetista.
Essa também é a posição do deputado Rodolfo Pereira (PDT). "Temos que cobrar responsabilidade do governo Lula, não simplesmente votar contra tudo por causa de uma decisão. Seríamos, assim, irresponsáveis. Precisamos manter o apoio aos projetos que gerem benefícios à população brasileira, em especial ao povo de Roraima", salientou.

Soberania
Luciano Castro foi um dos primeiros a declarar ser necessário a bancada 'jogar duro' com o governo Lula, apesar de fazer parte do partido do vice-presidente José Alencar. Posição firme também vem de Chico Rodrigues, único de sigla de oposição ao Planalto. "Continuarei combatendo atos contra a soberania do País", afirmou o pefelista.
Pastor Frankembergen ressaltou estar claro que Lula é mais um governante que usa a Amazônia como 'moeda' nas negociações internacionais. "Terei uma postura diferente, sem radicalizar ou me limitar ao aspecto individual. Tem que ser algo de bancada e do Estado. Não dá para manter a harmonia anterior porque houve arranhões".

Cautela
Os debates também mostraram que o governo estadual deve manter certa cautela no diálogo com o Planalto, sem provocar, por enquanto, afastamento. Uma das razões é que Flamarion Portela ouviu do presidente Lula que não assinará a homologação da Raposa/Serra do Sol antes de se definir a situação dos cidadãos que deixarão a reserva.
Outro tópico importante é que setores do poder central desejam dar um basta à problemática fundiária local. O caminho seria a transferência de glebas da União em Roraima para o domínio do Estado. Técnicos federais analisam mecanismos legais de como concretizar essa intenção política. Esbarram em aspectos jurídicos e constitucionais.

Ausências
Os demais parlamentares foram chamados e justificaram suas ausências. O senador Romero Jucá (PMDB) e os deputados Almir Sá (PL), Maria Helena Veronese (PMDB) e Alceste Madeira (PMDB) estão fora do Estado. A deputada Suely Campos (PP) confirmou presença, mas ficou impossibilitada de comparecer ao encontro.

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