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Autor: O Globo e G1
26 de Mar de 2019
Fiscalizar dinheiro repassado a ONGs é 'exercício de fé', diz ministro do Meio Ambiente
26/03/2019 - 08:46 / Atualizado em 27/03/2019 - 14:18
O Globo com G1
Em entrevista à GloboNews, Salles afirmou que, em alguns casos, há "salários de até R$ 46 mil e custos com a folha de pagamento que superam 70% da verba total do contrato"
RIO - O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou, em entrevista à GloboNews, que concluiu a primeira etapa de seu pente-fino em ONGs que têm contratos com a pasta. No levantamento, realizado com 25 instituições, cujos nomes não foram divulgados, diagnosticou uma "ausência de controle, total falta de metas e objetivos".
- Não tem maneira de você verificar o resultado, ou seja, é um exercício de fé. Você dá o dinheiro para a ONG e reza para que ela esteja fazendo um bom serviço. Não pode fazer isso. Nós estamos falando de dinheiro público, de um banco público de interesse da sociedade brasileira. O governo que está chancelando isso - disse o ministro, que analisará mais 25 organizações a partir desta semana.
- Tem caso que identificou salários que chegam a R$ 46 mil - revelou. - Vamos ter de aprimorar esse sistema para ter um maior controle. O que vai acontecer? Bons projetos vão continuar tendo andamento, e aqueles com bom discurso para tomar dinheiro público vão acabar.
Coordenador do Projeto Saúde & Alegria, ONG que atua em mais de 200 comunidades ribeirinhas na região de Santarém (PA), Caetano Scannavino assinala que, sem as verbas do Fundo Amazônia, precisaria reduzir significativamente seus projetos para construção de centros comunitários, recuperação de áreas degradadas e instalação de saneamento básico.
- Recebemos R$ 12 milhões do fundo para projetos que serão realizados nos próximos três anos. São trabalhos que deveriam ser assumidos pelo Estado. O poder público precisa ter uma relação construtiva com as ONGs para aumentar o alcance de suas políticas - defende. - É mesmo um absurdo que alguém tenha salário de R$ 46 mil. Mas o ministro não precisa criar uma relação hostil com o terceiro setor.
Para Adriana Ramos, membro da direção da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), o ministro promove uma "guerra midiática" para "criminalizar as ONGs".
- O ministro trata o Fundo Amazônia, um recurso internacional doado para a sociedade, como se fosse recurso público. E tenta demonstrar, por casos de exceção, os problemas com as ONGs. Tenta jogar uma cortina de fumaça, porque são instituições críticas ao desmatamento.
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