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Firjan defende opção por hidrelétricas com grandes reservatórios

OESP, Economia, p. B6
03 de Ago de 2013

Firjan defende opção por hidrelétricas com grandes reservatórios
Estudo da entidade aponta problemas nas usinas a fio d"água, que aumentam necessidade de recorrer às térmicas

Mariana Durão

A opção por hidrelétricas a fio d"água, combinada às características geográficas da Região Norte, onde está o maior potencial hídrico do País, deve levar à redução da capacidade de armazenamento de energia nos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN), aponta estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). A entidade calcula que o tempo médio efetivo de reserva de água para geração elétrica em períodos de seca será de apenas 2,14 meses em 2021, próximo a níveis considerados críticos.
No momento em que o governo se debruça sobre o Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, que definirá a composição da matriz energética no período, a Firjan pressiona para reabrir a discussão sobre a construção de usinas com grandes reservatórios, condenadas pelo impacto ambiental da inundação. Do ponto de vista técnico, os reservatórios garantem acumulação de água por anos. Já as usinas a fio d"água têm capacidade limitada, o que aumenta o acionamento das térmicas na estiagem.
"É preciso usar todos os meios para jogar para a frente o uso intensivo da energia térmica, mais cara e mais poluente. Estamos antecipando um custo que só viria em 2030", diz Armando Guedes Coelho, presidente do Conselho de Energia do Sistema Firjan. O tema voltou à mesa da indústria este ano, quando o recuo dos reservatórios aos níveis mais baixos da década levou o governo a recorrer às térmicas a gás natural e sinalizar a retomada das térmicas a carvão. Este será um dos debates do 14.0 Encontro de Energia segunda-feira, na Fiesp.
O estudo lembra que a Região Norte - onde estão as usinas de Belo Monte, Jirau e Santo Antonio - receberá cerca de 90% do potencial hídrico em operação de 2017 a 2021. A geografia plana da região, porém, dificulta a construção de reservatórios e impede que as hidrelétricas a fio d"água locais contem com a água acumulada em usinas rio acima. Isso eleva a exposição das novas usinas a variações na vazão de seus rios, 80% concentrada no primeiro semestre.
A Firjan estima que as condições desfavoráveis de operação poderão se traduzir em menor fator de capacidade das usinas. Hoje as hidrelétricas seriam capazes de gerar, em média, 55% do máximo permitido por sua potência em período desfavorável. Já a energia assegurada pelos empreendimentos em construção no Norte é de 49%, diz o documento. Caso isso se confirme para as futuras unidades, mais usinas serão necessárias.

OESP, 03/08/2013, Economia, p. B6

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