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Festa para a prosperidade

Estado de Minas-Belo Horizonbte-MG
Autor: Walter Sebastião
20 de Set de 2001

A herança cultural dos tupis, tradição indígena mais presente no cotidiano dos brasileiros, vai ser celebrada no IV Festival de Dança e Cultura Indígena da Serra do Cipó, que começa no próximo sábado e vai até dia 26 deste mês. No evento, que é aberto ao público, povos indígenas de várias regiões do Brasil realizam rituais de propiciação da pesca, caça e prosperidade. E, sob o conceito de prosperidade, Ailton Krenak, criador do festival, avisa que estão desde crianças com saúde até pessoas com atitude mais equilibrada .
O conjunto de ritos é uma celebração da cura da terra , explica Ailton Krenak, dizendo que se trata de ações que visam fazer subir o céu quando ele fica muito baixo e próximo do chão, traz problemas. Conta, ainda, que o festival, idealizado como espaço de intercâmbio de culturas, é o momento em que as tribos mineiras Crenaque, Xacriabá, Maxacali e Pataxó chamam os seus parentes para dançar. Amplia o convite: Todos que andam preocupados com os problemas que estamos vendo no dia-a-dia podem ir para a festa e ajudar .
Ailton Krenak acrescenta que o festival é uma janela de contato dos povos indígenas com outras culturas. A opção de priorizar, na sua quarta edição, o encontro de representantes da tradição tupi, vem do desejo de oferecer aos participantes do festival melhores informações sobre o povo e a tradição que estão contatando. Frisa a importância deles: são um dos maiores grupos no Brasil; é deles a maior parte do artesanato indígena que se conhece; e vêm deles dezenas de palavras que designam nomes de cidades, comidas, rios.
O festival, segundo Ailton Krenak, só tem paralelo nas celebrações do Kuarup, que acontecem no Xingu, no Amazonas. A diferença é que este apresenta vários rituais, de grupos distintos, o que não é comum nem para as próprias tribos. É uma inovação, mas plugada na sabedoria dos velhos. Estamos aproveitando uma herança cultural, de valor, que nos dá oportunidade de sermos diferentes do que vemos a nossa volta e não nos interessa , defende, reafirmando o interesse dele pelo que chama de a via cultural , que considera mais eficaz, para a luta indígena, do que a política.
Não gostaria que meu filho se integre no sistema do Ocidente e vire um idiota. Prefiro que ele imite o avô dele e aprenda a caçar com borduna. Afinal, como já disse Einstein, se tivermos uma terceira guerra mundial, a quarta vai ser com paus e pedras , provoca Krenak.
O Festival de Dança e Cultura Indígena acontece na Serra do Cipó, a cerca de 150 quilômetros de Belo Horizonte. É realizado no terreiro de festas dos crenaques, construído especialmente para o evento. A participação é gratuita e a infra-estrutura mais utilizada pelos visitantes é a das pousadas que ficam no pé da Serra do Cipó, a cerca de 5 quilômetros do local onde acontece o encontro.
Além dos rituais, realizados por vários grupos, durante todo o dia, são realizadas oficinas de história, pintura corporal, instrumentos musicais e, a novidade deste ano, de arco e flecha, especialmente para os alunos das escolas da região. Maiores informações podem ser obtidas no site www.papodeindio.com.br e, para comunicação com os organizadores, pelo e-mail burum@terra.com.br.

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