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Federal pede reforço de Brasília

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: CYNEIDA CORREIA
08 de Jan de 2004

O superintendente da Polícia Federal em Roraima, Ianê Leal, solicitou ontem ao Ministério da Justiça, em Brasília, reforço de contingente para ajudar no controle da manifestação contra a homologação em área contínua da terra indígena Raposa/Serra do Sol.

Leal requereu cerca de 100 homens para apoiarem o trabalho realizado pelos agentes locais, que atuam de forma intensiva em todas as sete barreiras existentes no Estado para evitar excessos por parte dos manifestantes.

A manifestação que está deixando o Estado isolado e pode prejudicar o abastecimento de combustível e gêneros alimentícios, não tem data prevista para encerrar.

"Nós acreditamos que a situação esteja se descontrolando e por isso resolvemos pedir um número maior de homens para ajudar a conter a onda de protestos. Apesar dessa solicitação, estamos torcendo para que não seja necessário o uso da força policial em nenhuma situação", disse o superintendente.

O movimento organizado por integrantes da sociedade civil que conta com apoio de comerciantes, agricultores e trabalhadores, colocou barreiras em todas as rodovias estaduais e isolou a BR-174 em cinco pontos diferentes, incluindo o acesso ao Amazonas, República da Guiana e Venezuela.

Ninguém entra, nem sai de Roraima, a não ser a pé.

REFÉNS - O principal foco de tensão é a Maloca do Contão no Município de Pacaraima. Os três missionários feitos reféns dos índios não foram libertados mesmo com a intervenção de cinco agentes federais que foram à localidade tentar uma negociação amigável com os indígenas.

Os missionários estão sendo mantidos na Maloca do Contão, depois de terem sido retirados da Missão Consolata (Sumrumu), por cerca de 100 índios. O superintendente, Ianê Leal Alves, disse que os manifestantes não querem liberar os religiosos, argumentando que precisam ter garantias de que serão ouvidos pelo Governo Federal.

O fracasso da negociação amigável por parte da Polícia Federal pode gerar uma intervenção judicial. O superintendente não descartou a possibilidade de solicitar um mandado da Justiça Federal para retirar da aldeia indígena os três missionários.

ESTUDANTES - Um grupo de jovens da Paróquia Santa Luzia, em Manaus, que se encontrava em viagem de intercâmbio, para conhecer as atividades desenvolvidas na Missão de Surumu, foi liberado pelos indígenas.

"Nós conseguimos libertar os estudantes amazonenses que estavam na Missão e eles estão saindo da área. Estávamos tentando negociar para evitar em primeiro momento um problema maior, mas não foi possível. Agora vamos tentar de todas as formas libertar essas pessoas", enfatizou Ianê Alves.

Os integrantes do grupo amazonense são: Gilberto Rodrigues (21), Narilete Silva (24), Anderson Vasconcelos (18), Cledilson Lopes (25), Lucinéia Souza (21), Andreza Resende (20) e Michael Anderson (20).

COMANDO - O tuxaua da comunidade do Contão, Genival Costa da Silva, foi quem comandou a operação que resultou na detenção dos religiosos. Segundo a Polícia, os religiosos não apresentavam qualquer sinal de agressão física.

A delegada da PF, Juliana Cavaleiro, que comandou a negociação retornou na noite de ontem a Boa Vista e disse que os religiosos estão bem de saúde e sendo alimentados, no entanto continuam sem poder sair da aldeia.

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