Folha de S. Paulo-São Paulo-SP
Autor: JOSÉ EDUARDO RONDON
19 de Fev de 2004
A Polícia Federal indiciou ontem o fazendeiro Paulo César Quartiero por participação no seqüestro de três religiosos ocorrido em 6 de janeiro na reserva indígena Raposa/Serra do Sol, no nordeste de Roraima.
Naquele dia, índios e plantadores de arroz fecharam as principais rodovias do Estado em protesto contra o anúncio da homologação da reserva como terra contínua --com a remoção das cidades e da população não-índia da área da Raposa/Serra do Sol.
Na aldeia do Surumu, dentro da reserva, dois padres e um missionário foram feitos reféns por um grupo de indígenas que participava dos protestos.
De acordo com o delegado da Polícia Federal Eduardo Alexandre Fontes, responsável pela investigação do caso, Quartiero prestou "ajuda material" aos índios que mantiveram os padres seqüestrados. Quartiero teria emprestado ao grupo tratores e máquinas agrícolas.
O rizicultor negou hoje à Agência Folha que tenha participado de alguma forma do seqüestro dos religiosos. "Não dei ajuda material, não participei do ato."
A PF já havia indiciado o índio Genival Silva Lima como autor do seqüestro.
O relator da comissão externa da Câmara Federal enviada ao Estado de Roraima para apresentar um parecer sobre a demarcação da área indígena ao governo federal, Lindberg Farias (PT-RJ), disse que poderá haver uma "guerra entre indígenas" se a demarcação contínua anunciada for concretizada. Há índios contra e a favor da reserva.
"Pelos discursos que ouvimos aqui desde nossa chegada e pelo que vimos em algumas localidades [índios armados], haverá uma guerra entre índios se a proposta de demarcação contínua da reserva for concretizada", disse o deputado federal.
O Ministério da Justiça já anunciou que a reserva será homologada de forma contínua. A homologação só será concretizada após a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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