CB, Economia, p. 19
05 de Ago de 2006
FAO defende novo modelo energético
Luciano Pires
Inspirados na bem-sucedida experiência brasileira, países da América Latina querem aprofundar a pesquisa, atrair investimentos e incentivar a produção de energia renovável. Diminuir a dependência em relação ao petróleo é preocupação de todos que pensam em garantir condições de crescimento econômico e geração de renda. Para isso, apostam na diversificação da matriz energética.
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) intermedia esse intercâmbio. Segundo José Graziano, sub-diretor geral da FAO, é possível formar o "embrião" de um novo modelo energético, uma vez que Brasil, Argentina e Chile dispõem de matéria-prima abundante - principalmente soja - para gerar energia e disposição de se integrar. "A intenção é criar um mercado novo para aumentar o uso não-agrícola dos produtos agrícolas e criar empregos", explica.
Na semana passada, especialistas e representantes de governo dos três países reuniram-se em Santiago, no Chile, para discutir formas de disseminar conhecimento. "Em termos brasileiros, claro que no curto prazo interessa exportar. Mas o Brasil não quer ser uma Arábia Saudita do álcool. Os brasileiros têm interesse em vender tecnologia e equipamento", reforça Graziano. Com as hidrelétricas e a introdução da cana-de-açúcar, a matriz energética nacional tornou-se uma das mais diversificadas do mundo: 44,7% dela é composta por energia não derivada do petróleo. Entre os países da América do Sul, não chega a 15%.
Commodities
A FAO propõe a criação da Plataforma Internacional de Bioenergia (Ibep) e promete empenho na coordenação de um esforço mundial na busca por fontes que não sejam derivadas do petróleo. Na avaliação de Graziano, o importante é que cada país busque uma auto-suficiência capaz de distribuir renda e de recuperar setores da economia agrária atualmente decadentes. Motivo: como a agroenergia é um mercado formado por commodities, o ideal é que a oferta não esteja concentrada em um único país. Tudo o que o planeta não quer é trocar o petróleo por outro combustível hegemônico que, em tempos de instabilidade, provoque oscilações nos preços.
Do ponto de vista prático, a entidade ainda vai mediar o diálogo entre universidades e companhias interessadas no assunto. Sob essa perspectiva, o Brasil está bastante adiantado, pois tem firmado parcerias importantes com países como Japão, Estados Unidos e Austrália. "O que esperamos é motivar o uso comercial das fontes alternativas", acrescenta o representante da FAO.
"Hoje, o incentivo vem pelo lado privado. Se tiver uma garantia do setor público, no sentido de uma regulamentação, os investimentos acontecem. Os governos precisam aproveitar o momento de crise energética do petróleo para apontar o novo modelo. E felizmente o Brasil pode oferecer isso", completa.
CB, 05/08/2006, Economia, p. 19
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