O Estado de S. Paulo- São Paulo-SP
Autor: EDUARDO NUNOMURA
15 de Jul de 2001
O alerta foi dado no primeiro dia da 53.o Reunião Anual da SBPC .
A pressão internacional sobre a Amazônia brasileira está prestes a se tornar insustentável. Desta vez, o culpado não é o interesse de países e indústrias estrangeiras pelos produtos da região, mas a falta de pesquisadores qualificados para saber explorar corretamente a sua biodiversidade. O alerta foi feito pelo biólogo Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em palestra apresentada ontem, na 53.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A falta de contrapartida nacional aproxima perigosamente a Amazônia dos interesses estrangeiros. O déficit de pesquisadores, doutores e mestres, é um problema nacional. Na região Norte, o problema é muito mais grave. Menos de R$ 1 per capita é investido em ciência e tecnologia nos Estados do Norte. No restante do País, esse valor chega a R$ 2,99 per capita. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) destina 2,25% dos seus recursos para a região, ante os 57,50% para o Sudeste. Isso preocupa mais ainda pois de 1995 a 1999 houve uma diminuição significativa das verbas para o Norte, Centro-Oeste e Nordeste. O paulista Adalberto Val conhece bem o problema de falta de mão-de-obra qualificada. Desde 1978 na região, ele trabalha num laboratório do Inpa cujos equipamentos estão avaliados em US$ 5 milhões. Atualmente, só há dois doutores trabalhando nele. Não podemos exigir das faculdades e dos institutos qualidade sem os recursos humanos, afirmou Val. Atualmente, o Inpa possui 266 cientistas contratados. Há cinco anos, eram mais de 400. O Inpa poderia absorver tranqüilamente 2 mil pesquisadores, mas se conseguirmos melhorar a infra-estrutura como planejado haverá espaço para 3 mil, acrescentou Warwick Kerr, diretor do instituto, um dos maiores produtores no País de publicações científicas sobre meio ambiente. Segundo Val, o ideal seria produzir pesquisadores na própria região, pois é difícil conseguir interessados em se mudar para a Amazônia a fim de morar e trabalhar na região. Está em curso um projeto para o intercâmbio de estudantes de iniciação científica da Amazônia e de outras regiões brasileiras, mas faltam verbas. Não adianta o governo aumentar os recursos para comprar equipamentos para a região, pois não há gente capaz de usufruir desses gastos. Quando há dinheiro sobrando, alertou Val, os riscos de desvios são sempre maiores. Cancelamento O primeiro dia da 53.ª Reunião Anual da SBPC começou com uma conferência cancelada. O geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais, não compareceu, alegando que não se sentiria seguro em Salvador, por causa da greve da Polícia Militar baiana. Com exceção desse cancelamento, a reunião continua normalmente. Quase 10 mil pessoas circulam pelo câmpus da Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde o evento se realiza. (Colaborou Evanildo da Silveira)
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