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Falta energia em metade das aldeias

Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
08 de Mai de 2005

Quase todas as aldeias da reserva Raposa/Serra do Sol não têm energia elétrica nem estradas. Um levantamento feito pela Sodiur (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos do Norte de Roraima) aponta que, das 61 comunidades, apenas nove dispõem de energia. As demais vivem na mais completa escuridão e os moradores se valem de picadas abertas no meio da mata para chegar a suas casas.
O CIR (Conselho Indígena de Roraima) confirma que é enorme a carência por esses dois serviços, mas lembra que a instalação de motores de energia depende da aprovação das comunidades envolvidas, ao contrário das aldeias ligadas à Sodiur, que reivindicam o benefício.
A falta de energia é um problema que não se restringe à Raposa/Serra do Sol. Quase todas as aldeias das 30 reservas indígenas de Roraima também não são abastecidas. O índio macuxi, José Ferreira Gomes, da maloca Leão de Ouro, no Amajari, conta que sua comunidade está abandonada, depois que a área foi homologada, na década de 80.
Ele conta que após vários pedidos, o Governo do Estado está recuperando a estrada que dá acesso ao lugar. Mas faltam transporte e medicamentos no posto de saúde. "Lá não tem médico nem enfermeiro. Quando alguém adoece a gente tem que trazer para Boa Vista", diz.
A comunidade é formada por oitenta pessoas, entre adultos e crianças, produz apenas para subsistência, justamente pela ausência de infra-estrutura. "Já pedi a instalação da energia para o pessoal do Luz para Todos", informa José Ferreira. Segundo ele, faz quase um ano que um funcionário da Funai foi ao local.
Na Raposa/Serra do Sol, os índios querem a interiorização da energia de Guri e a construção da hidrelétrica do Cotingo, na cachoeira Tamanduá, cuja queda d'água tem potencial para produzir energia para atender todas as comunidades e os 15 municípios de Roraima.
A obra sofre a resistência dos índios ligados ao CIR, que temem o impacto ambiental de grandes proporções e, posteriormente, a fixação de não-índios
que deverão permanecer no local para operar a usina.
Por outro lado, esses indígenas sonham com a construção de uma pequena central hidrelétrica na maloca Uiramutã, para atender a necessidade da comunidade local e incentivar a produção.
O presidente da Sodiur, José Novaes, observa que a energia é um dos principais incentivos para incremento da produção, principalmente por permitir a irrigação das lavouras e o funcionamento de equipamentos para processar a mandioca, por exemplo, agregando valor a ela

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