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Falta de negociação deixa os indígenas revoltados

Amazonas em Tempo-Mamaus-AM
Autor: Márcia Daniella
18 de Jan de 2005

Faixas repudiando a presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai)/ Brasília e um caixão (de papelão e fibra vegetal) para o administrador regional da Funai/ Manaus, Benedito Rangel. Os recursos de protesto podem ser vistos no muro do escritório regional, rua Maceió, onde 200 índios de 17 etnias permanecem acampados há quase 15 dias. As negociações não evoluíram nos últimos dias e os manifestantes garantem que não se retiram do prédio antes da exoneração de Rangel.

O membro da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), José Mário Mura, confirma que as negociações para desocupação do prédio não avançaram. Os acampados estão na expectativa da reintegração de posse, que teria sido solicitada pela Funai Brasília na última sexta-feira. O órgão informou que está aguardando a apreciação do pedido que já foi protocolado pela Advocacia Geral da União (AGU) junto à Justiça Federal.

Segundo José Mário, o Ministério Público Federal também já tentou intervir para encontrar uma solução, mas não houve acordo ao final da reunião com o vice-presidente da Funai, Roberto Lustosa, realizada no mesmo dia (14) em Manaus. "Se a justiça determinar a reintegração de posse, deverá acontecer uma reunião de conciliação antes", estima.

Por telefone, a procuradora do Ministério Público Federal, Isabela Brant, assegurou que não houve acordo e o órgão não pôde intervir na decisão das partes. De acordo com ela, só a Funai pode atender o pleito do indígenas. A ação do MPF, conforme Isabela, teve que se restringir a comunicar o Ministério da Justiça sobre os fatos que estão acontecendo na cidade. "Ainda não sabemos que medidas serão adotadas", informou.

Na manhã de ontem, enquanto alguns indígenas mantinham a vigilância nos portões, outros alegravam o ambiente com danças e cantos. As lideranças confirmaram a presença de um grande grupo na abertura do Fórum Pan-Amazônico, que ocorre às 15h de hoje, no auditório da reitoria da Universidade do Estado do Amazonas.

O objetivo dos indígenas é divulgar o impasse que está ocorrendo em Manaus aos 10 mil participantes que estão sendo aguardados no evento, entre eles repórteres de outros países. "Isso pode repercutir negativamente para o Brasil", comentou Benjamim Baniwa, umas das lideranças.

O membro da Coiab, José Mário Mura, complementou que os índios vão "abrir o jogo" para a imprensa internacional e dizer como estão tratando os índios no Brasil. "Devemos levar 300 índios para participar da abertura e chamar a atenção da imprensa", assegurou.

Ele disse ainda que, além do protesto, a Coiab possui representações que estarão participando das diversas mesas-redondas do Fórum Pan-Amazônico e garantindo a opinião indígena nos debates.

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