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Autor: João Pires
01 de Ago de 2011
Índios das aldeias Jaguapiru e Bororó estão revoltados com a falta de medicamentos nos PSF's (Programa da Saúde da Família). Desde que a Funasa (Fundação Nacional da Saúde) determinou que os remédios considerados de uso contínuo fossem entregues somente na farmácia municipal, os indígenas se recusam a ir até o centro de Dourados para buscar a medicação. Eles alegam que tanto as consultas como a entrega dos remédios eram realizados dentro das aldeias e reivindicam o retorno do mesmo atendimento.
Na sexta-feira o Diário MS conversou com alguns indígenas das duas aldeias, que precisam frequentemente do uso de medicação contínua, principalmente para o controle de pressão arterial. "Aqui na aldeia já existe um posto de saúde, por isso não precisamos ir até o centro da cidade. Se for precisar morrer a gente morre, mas não vamos para cidade para buscar remédio", disse o indígena, Ermenegildo Alves da Silva, 72 anos, morador na aldeia Bororó.
Ele e a esposa Adelaide Rodrigues Oliveira, 55 anos, fazem uso do remédio 'Hidrolan/50mg', para o controle da pressão arterial. A residência do casal não possui energia elétrica e a casa é uma das poucas da aldeia ainda cobertas de 'sapê'. "Estão fazendo nós de bobos, pois a gente não conhece nada lá na cidade", reclama à indígena. O casal mostrou à reportagem a última cartela com os comprimidos, que devem durar somente mais 14 dias.
Outra determinação da Funasa é que os medicamentos somente sejam entregues aos pacientes e não a terceiros, mesmo com apresentação da receita médica. O casal Nelvino Januário, 54, e Claudina Benites, 60, faz uso dos remédios 'Diurix/25mg' e 'Enalprin-20mg' (os dois para controle da pressão arterial). Eles afirmam que nem todos os indígenas possuem carroças ou bicicletas para se deslocar até o centro da cidade. "Alguns são idosos e nem conseguem andar direito", reclamam.
Mais uma dificuldade apontada pelos indígenas é quanto ao péssimo estado de conservação das vias dentro das aldeias. A indígena, Paula Vilhalva, 71, faz uso do 'Enalprin/20mg'. Ela precisa tomar o medicamento duas vezes ao dia e esta na última cartela. "Daqui a três dias já acaba o remédio e se chover não tenho como ir buscar na cidade", afirma. "Se eu não tomar a medicação, passo mal", completou.
FUNASA
O coordenador-regional da Funasa em Mato Grosso do Sul informou ao Diário MS que, por força de um decreto do Ministério da Saúde, desde o início do ano o órgão não é mais responsável pela atenção de saúde básica dentro das aldeias do Estado. Segundo ele, a Funasa está oferecendo apenas auxílio administrativo a Secretaria Especial de Saúde Indígena, criada pelo governo federal para atender as aldeias de todo o país.
Já o chefe do Dsei/MS (Distrito Sanitário Especial Indígena de MS) Nelson Olazar relatou que a mudança na forma de fornecimento de remédios aos índios foi determinada pelo Ministério da Saúde. No entanto, o Dsei já constatou a dificuldade e resistência dos índios de se deslocar até a cidade, principalmente em Dourados, para ter acesso ao medicamento. "Realmente está existindo essa dificuldade e por isso já encaminhamos um pedido de alteração na forma de entrega dos remédios ao Ministério da Saúde. Estamos aguardando um posicionamento", disse.
No entanto, Olazar informou que o problema de Dourados será resolvido dentro de 30 dias, já que o órgão está providenciando a compra de uma grande quantidade de remédio. Segundo ele, após a chegada dos medicamentos, a entrega voltará a ser feita dentro das aldeias, com as equipes de saúde percorrendo as casas e repassando os medicamentos de uso continuo para os pacientes.
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