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Falta de informação pára gasoduto da Venezuela

O Globo, Economia, p. 31
21 de Abr de 2006

Falta de informação pára gasoduto da Venezuela
Projeto pode ficar no papel, se não houver dados precisos sobre o volume

Eliane Oliveira
O projeto bilionário de um gasoduto que partirá da Venezuela e cruzará toda a América do Sul poderá não sair do papel, caso os venezuelanos não informem, claramente, o volume de suas reservas de gás. Os estudos sobre a viabilidade da obra - que deverá medir cerca de 10 mil quilômetros e custar até US$ 25 bilhões - estão sendo realizados por técnicos do Brasil, da Argentina e da Venezuela e serão concluídos até julho.
No governo brasileiro há quem defenda que é preciso dados mais aprofundados sobre o estoque de gás natural oferecido pela Venezuela, para que o empreendimento seja realmente levado adiante.
Segundo fontes graduadas do Itamaraty e do Ministério de Minas e Energia, por razões estratégicas, o presidente Hugo Chávez, que jantou ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não revela quanto seu país teria de gás a fornecer, enquanto a Bolívia, principal abastecedor do Brasil, conta com cerca de 1,2 trilhão de metros cúbicos. Um técnico disse, que no início das conversas, os venezuelanos chegaram a dizer que tinham o equivalente a 4,5 trilhões de metros cúbicos e, mais recentemente, baixaram para apenas 320 bilhões.
Brasil tenta evitar perdas para a Petrobrás na Bolívia
Um integrante do governo brasileiro comentou ontem que não duvida de que as reservas de gás da Venezuela sejam suficientes para atender os países da região e para justificar os vultosos investimentos na obra. No entanto, é preciso previsibilidade.
Dados obtidos junto ao governo brasileiro mostram que, assim que for construído, o gasoduto teria capacidade de transportar 150 milhões de metros cúbicos de gás por dia da Venezuela para o Brasil e a Argentina. 0 volume seria suficiente para atender às necessidades do Brasil, inclusive nas regiões Norte e Nordeste.
Além disso, Brasil e Bolívia negociam um acordo para que a proposta de nacionalização das reservas bolivianas, anunciada pelo presidente Evo Morales, não prejudique a Petrobrás. Segundo o assessor especial para a Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, as conversas estão indo bem.
- 0 objetivo é negociarmos para que não haja um vencedor e um perdedor - disse ele.

O Globo, 21/04/2006, Economia, p. 31

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