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Falta d'água atinge até os bebedouros do Parque do Ibirapuera

OESP, Metrópole, p. A18
15 de Out de 2014

Falta d'água atinge até os bebedouros do Parque do Ibirapuera
Desde o fim de semana, ruas de pelo menos dez bairros em toda a capital passaram a ter períodos de torneiras vazias

Paula Felix - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A falta d'água que virou queixa frequente de moradores e comerciantes de bairros em pontos mais altos da capital se espalhou e, agora, atinge residências por toda a cidade. A crise hídrica está afetando até o Parque do Ibirapuera, na zona sul, que ficou sem água nos bebedouros.
Desde o último fim de semana, moradores de Perdizes e Pompeia, na zona oeste, da Aclimação, Cambuci, Consolação e Pacaembu, na região central, Limão e Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, e Vila Guarani e Jardim Ângela, na zona sul, ficaram com as torneiras vazias à noite e até durante o dia pela primeira vez.
Foi o que aconteceu nesta terça-feira com o empresário Celso Cury, de 37 anos, dono do restaurante árabe Casa Cury, em Perdizes. Por volta do meio-dia, ele se viu diante de um relógio de água que girava, mas o líquido não saía. "Se isso continuar acontecendo, vamos ter de mudar o cardápio e servir só os sanduíches. Assim, não vou precisar usar tantas panelas", diz Cury. Outro plano do empresário, caso a crise se agrave, é antecipar as férias dos funcionários.
Os paulistanos que foram aproveitar o calor no Parque do Ibirapuera encontraram os bebedouros do local secos durante esta terça-feira. Procurada, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente confirmou o problema. No entanto, segundo a pasta, a falta de água foi causada por uma manutenção na rede da Sabesp. No início da noite o fornecimento estava sendo normalizado.
A AMA Vila Palmares, na zona norte, teve de ser socorrida por caminhões-pipa para não fechar as portas. Segunda a Secretaria Municipal de Saúde, a unidade ficou sem água na segunda-feira e na terça. O desabastecimento, segundo a Sabesp informou à secretaria, era resultado de uma "manutenção" emergencial na região.
Na segunda, as torneiras secaram às 15 horas na Rua Augusta, na região central da capital. "A água só voltou de madrugada e hoje está fraca. Tenho medo que falte de novo, porque temos movimento 24 horas por dia aqui, conta o gerente do BH Lanches, Evandir Barbosa de Lima, de 57 anos.
Seca. No último sábado, das 7 horas às 20h30, a água não chegou ao salão de cabeleireiro onde trabalha Danilo Vicente José, de 31 anos, localizado na Rua Reims, no Limão, zona norte. "Faltou água durante o dia inteiro, da hora que abrimos até quando fechamos o salão."
Ficar sem água durante a noite já era uma realidade para Andrea Gattoni, de 47 anos, proprietária do Hostel Traipu, no Pacaembu, na região central. Mas, desde segunda, a água tem voltado com menor pressão e está prejudicando o funcionamento dos banheiros do local. "Temos dez banheiros, mas só estamos usando um. A pressão da água está prejudicando as válvulas (dos sanitários)."
Na última sexta-feira, a Sabesp enviou plano de operação aos órgãos reguladores no qual afirma que reduzirá a vazão do Cantareira para 18,5 mil litros por segundo a partir de novembro e que isso possibilita o aumento de ocorrências de falta d'água. Na prática, contudo, a Sabesp já tem retirado 18,3 mil litros por segundo do manancial neste mês.
Sobre as reclamações de clientes, a empresa afirma que os casos precisam ser vistos um a um, mediante vistoria técnica, e que, nesta semana, ocorreram manutenções emergenciais que afetaram o abastecimento.
Segundo a empresa, "as altas temperaturas dos últimos dias provocaram aumento do consumo que, associado às medidas operacionais para levar água de outros sistemas a bairros originalmente atendidos pelo Cantareira, prejudicou o abastecimento em alguns pontos altos e distantes". / COLABORARAM BRUNO RIBEIRO, FABIO LEITE e RAFAEL ITALIANI; ANA PAULA MANSUR e ANA CRISTINA MAZEO, ESPECIAIS PARA O ESTADO

Tráfego de caminhões-pipa será liberado
Veículos só podiam entrar em determinadas regiões depois das 22h

Bruno Ribeiro - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - O Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV) da Prefeitura decidiu liberar a circulação de caminhões-pipa que solicitarem autorização para entrar no centro expandido da cidade a qualquer horário do dia.
Esses veículos só podiam entrar em determinadas regiões depois das 22 horas, por causa das regras de restrição ao tráfego de caminhões em vigor nas vias da capital.
A flexibilização já era feita para atendimento de escolas e hospitais em situação de emergência - mas desde que a falta de água fosse confirmada com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Agora, a confirmação será relaxada e será liberada a circulação para atendimento de outras empresas.
Segundo a Prefeitura, dependendo de como a crise evoluir, a administração poderá ainda retirar a necessidade de pedido de autorização de circulação para esses veículos.
Transportadoras de água vinham relatando dificuldades para operar na capital. "Nas últimas semanas, tivemos 300% de aumento no número de pedidos de novos clientes", disse a atendente Rita Passos, de 37 anos, de uma empresa de transporte de água da região metropolitana. "Mas nós não temos como atender a essa demanda. Parte é por causa das nossas próprias limitações de produção. Mas parte é porque temos de esperar até as 22 horas para entrar na cidade", afirma.
Listas de espera. Empresas do setor afirmam que estão deixando de atender a pedidos por causa do crescimento da demanda e das restrições, ou criando listas de espera para clientes.

OESP, 15/10/2014, Metrópole, p. A18

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,falta-dagua-atinge-ate-o…

http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,em-meio-a-crise-trafego-…

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