OESP, Nacional, p. A12
11 de Mai de 2008
Facções dividem Surumu
Na vila, o apoio ou não à reserva define territórios
Palco dos conflitos que agitam Roraima desde o mês passado, a Vila Surumu, a 160 quilômetros de Boa Vista, ilustra de forma emblemática a divisão dos índios na reserva Raposa Serra do Sol. No meio da ponte sobre o rio de mesmo nome tremula uma enorme Bandeira do Brasil, instalada pelo arrozeiro Paulo César Quartiero, prefeito de Pacaraima. No auge do confronto, ele mandou colocar uma bandeira da Venezuela, em protesto pela política indigenista do País.
A principal rua do vilarejo, a Avenida Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, separa as duas facções. De um lado vivem os índios favoráveis à permanência dos não-índios na reserva. Ali estão localizados os prédios da subprefeitura de Pacaraima, a escola municipal Padre José de Anchieta, a sede da Associação dos Moradores e a usina que fornece eletricidade.
O curioso é que é desse lado que funciona a Missão Surumu, uma escola profissionalizante doada pela Igreja Católica e administrada pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR). O grupo contrário à reserva já ameaçou tocar fogo no prédio.
Do outro lado estão a quadra de esportes - objeto de disputa permanente entre as facções rivais -, o posto médico, uma pista de pouso e o único telefone público. Os moradores não-índios estão dos dois lados. O trânsito é liberado, mas pela animosidade constante as pessoas evitam sair de seu território. Há risco de xingamentos e até de agressão. O tempo todo observadores registram os movimentos do lado oposto.
Próximos ao orelhão estão os índios do CIR. Os da Sodiurr ficam na associação, embaixo de um toldo instalado do lado de fora para facilitar a visualização. Quem não está incubido de nenhuma missão passa o dia dormindo em redes atadas nos malocões. No clima de tensão permanente, o sol não dá trégua. Com seus pesados uniformes agentes da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança se refugiam do calor embaixo das enormes árvores da rua.
Desde a semana passada três ambulâncias e um carro de busca e salvamento do Corpo de Bombeiros mudaram a paisagem local, em frente ao posto médico. Eles estão de plantão para atender as vítimas de mais um conflito, que pode ocorrer a qualquer momento.
OESP, 11/05/2008, Nacional, p. A12
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