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Exploração ilegal de madeira faz vítima em MT

Agência Estado - estadao.com.br
24 de dez de 2001

Exploração ilegal de madeira faz vítima em MT

AGÊNCIA ESTADO

O assassinato do índio Carlito Kaban Cinta-Larga, no último dia 19, deixou tensa a situação em Aripuanã, em Mato Grosso, município onde a exploração ilegal de madeira em terras indígenas é a principal atividade.

Segundo o antropólogo João Dal Poz, da Universidade Federal de Mato Grosso, até o momento nenhuma perícia foi realizada e nenhuma equipe da Polícia Federal foi deslocada para o local.

"A região está meio isolada por causa das chuvas e, se as investigações fossem bem conduzidas, daria para pegar os culpados. Mas como isso não está acontecendo, a mulher de Kaban, uma moça de 16 anos, não-índia e grávida, está apavorada", diz.

Dal Poz, que nos últimos 20 anos tem trabalhado com os cintas-larga na região, conta que Carlito vinha denunciando há três meses ao Ministério Público Federal (MPF) a extração ilegal de madeira em aldeias em Aripuanã (a 976 quilômetros de Cuiabá).

O índio, de 28 anos, foi vítima de uma tocaia de pistoleiros quando chegada em casa em sua pick-up Chevrolet S-10. Segundo o antropólogo, todas as lideranças cintas-larga estão envolvidas na venda de madeira, cada aldeia trabalhando com alguns madeireiros.

"Como as madeiras valorizadas já estão escasseando, as disputas estão acirradas, com os madeireiros colocando índio contra índio. Era contra isso que Carlito Cinta-Larga vinha lutando, pois era um negociador duro e queria colocar suas condições", afirmou Dal Poz.

"Os empresários, comerciantes e políticos envolvidos na extração ilegal são bem conhecidos, alguns deles já foram inclusive denunciados a autoridades policiais ou apontados em notícias de jornal", continuou o antropólogo.

Dal Poz diz ainda que, por falta de madeira, há um ano os cinta-largas estão partindo para negócios com garimpeiros.
Maura Campanili

Agência Estado, 24/12/2001

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