Diário de Cuiabá
Autor: Keity Roma
05 de Jul de 2006
Uma equipe de pesquisadores encontrou mais de 200 espécies de aves habitando a área mato-grossense que faz parte do Parque Nacional do Juruena, uma unidade integral de preservação. As descobertas foram feitas durante a Expedição Juruena-Apuí, realizada pela ong WWF Brasil, que teve início em 13 de julho e durou 20 dias.
Segundo o coordenador da expedição, Marcos Pinheiro, existem indícios de que outras espécies de animais, ainda não reconhecidas cientificamente, possam habitar o parque. A área pode ser considerada inexplorada cientificamente. Há uma expectativa muito grande de se encontrar novas espécies por parte dos pesquisadores, afirmou Pinheiro.
A hipótese torna-se ainda mais forte quando levados em conta o fato de não haver estudos e pesquisas anteriores sobre a região, de se tratar de uma área próxima a um rio e também de o Parque Nacional fazer parte de um ecótono, que é o encontro de dois biomas diferentes, no caso o Cerrado e a Floresta Amazônica. Nas áreas em que existem esses fenômenos, os organismos tendem a se diferenciar dos parentes. Não acreditamos na descoberta de novas espécies de grande porte, mas de anfíbios, peixes, insetos e pequenos macacos, acrescentou o coordenador.
A expedição foi organizada com o objetivo principal de sensibilizar os habitantes dos municípios que integram o Parque e o poder público sobre a necessidade da adoção de alternativas econômicas que eliminem a degradação ambiental na região. A atividade garimpeira, a pecuária extensiva e a extração de madeira são os fatores responsáveis pelo desmatamento na área. As pessoas que dependem da exploração ambiental para sobreviver são imediatistas. Nós temos uma visão de preservação a longo prazo. Aí surge um embate. Precisamos mostrar para a população local que existem formas sustentáveis de fazer as mesmas coisas, disse.
Outro ponto de interesse para a equipe foi a realização das primeiras pesquisas científicas, que serão fundamentais para a elaboração do plano de manejo da unidade de preservação a partir de 2007. Depois da elaboração do projeto, o Ibama autorizará a visitação do local. Em 2008 o turismo deve se fortalecer na região, e será uma alternativa para o desenvolvimento sustentável. Já estamos pensando em projetos para cooperativas, como de pilotos de voadeiras, afirmou.
Cerca de 80 pessoas participaram da Expedição Juruena-Apuí, entre pesquisadores, equipe de apoio e representantes de órgãos públicos responsáveis pelo meio ambiente, como Ibama e Sema. Durante a expedição foram documentadas mais de 36 horas de vídeo e tiradas mais de 5 mil fotos da flora e fauna. Uma equipe da televisão alemã Vox TV produziu um documentário sobre a viagem e sobre o local.
Criada pelo Ibama em 3 de junho deste ano, a unidade integral de preservação faz parte do Corredor Ecológico da Amazônia Meridional. O parque é considerado o quarto maior do Brasil, abrangendo uma área de 1,9 milhão de hectares, que compreende toda a fronteira de Mato Grosso com os estados do Pará e Amazonas. A área é considerada fundamental para a contenção do desmatamento na região Amazônica.
Mato Grosso contribui com 65% da área do parque - os outros 35% estão localizados no Amazonas. Fazem parte da unidade os municípios mato-grossenses de Aripuanã, Cotriguaçu, Nova Bandeirantes e Apiacás. Este último é responsável por 53% da área total do Juruena.
Keity Roma
Local: Cuiabá - MT
Fonte: Diário de Cuiabá
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