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Expedição da Fundação Vitória Amazônica coleta dados da região do rio Unini

Jornal do Commercio-Manaus-AM
14 de jul de 2004

A FVA (Fundação Vitória Amazônica) iniciou nos primeiros dias do mês de julho, em parceria com o CNPT/Ibama (Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais/Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis), a expedição multidisciplinar que prevê a coleta e complementação de informações sobre a região do rio Unini, afluente do rio Negro e limite norte do Parque Nacional do Jaú. Essa é uma das etapas necessárias para o processo de criação da Resex-Unini (Reserva Extrativista do Unini).
A Resex tem como objetivo a conservação do uso sustentável, cuja criação só pode ser viabilizada a partir do interesse dos moradores locais, pensamento de Chico Mendes, seringueiro e sindicalista que se tornou um mártir no combate à ganância dos desmatamentos indiscriminados e aos modelos produtivos pouco empregadores e concentradores de renda.

Reconhecimento socioeconômico
O objetivo principal da viagem é realizar o reconhecimento de determinadas áreas, coletar dados necessários para uma caracterização da população humana (infra-estrutura, situação socioeconômica, uso de recursos naturais e questão fundiária) e biológica (fauna e flora) da região. Estão participando da atividade aproximadamente 20 pessoas, incluindo pesquisadores da FVA e do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), além de um representante do CNPT/Ibama e do IDSM (Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá).

Documento preliminar
A expedição está sendo desenvolvida a partir de dois componentes que são o biológico e o social. O primeiro é formado por quatro equipes, que implementarão seus estudos em uma base fixa na comunidade Vila Nunes, município de Barcelos, para fazer um levantamento das espécies de aves, mamíferos, insetos e peixes da região. O segundo visitará aproximadamente dez comunidades e estabelecimentos hoteleiros para realizar estudos de reconhecimento da área por meio de reuniões e entrevistas com os residentes.
Os dados levantados serão transformados em um documento (diagnóstico preliminar), que irá subsidiar a proposta de criação da Resex, feito no dia 27 de fevereiro de 2004 pela Associação de Moradores do rio Unini.

Pesca predatória
A idéia de criar uma Resex surgiu como forma de solucionar um conflito que envolve a região do Unini. Um acordo firmado entre a Prefeitura de Barcelos, o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) e empresas de turismo locais que resultou na delimitação de uma área próxima à Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Amanã para a realização de pesquisas científicas no local. No acordo, ficou determinado que nenhum barco poderia pescar na região. Para reforçar a decisão, a prefeitura do município colocou policiais vigiando a área.
A ação fez com que os geleiros, como são chamados os barcos de pesca comercial, que antes exerciam suas atividades em torno do Amanã, acabassem deslocando-se para alguns lagos do Parque Nacional do Jaú, os quais são utilizados pelas comunidades locais para a própria subsistência. O parque é uma unidade de conservação de proteção integral criada em 1980, e por isso determina a proibição do uso de recursos naturais de maneira predatória. Apesar das unidades de proteção integral não permitirem a permanência de populações humanas, o Parque do Jaú, que é administrado pelo poder público, mantém sua população tradicional pelo fato do governo não dispor de verbas para indenizá-las e reassentá-las como o previsto por lei.

Atividade coletiva
Para reverter a situação, a Associação do Rio Unini articulou, juntamente com a FVA e o Ibama, a realização de reuniões com as organizações envolvidas para o estabelecimento de um acordo para a pesca no rio. Um dos principais resultados obtidos foi o zoneamento das áreas que poderão ser utilizadas para a atividade pesqueira, bem como o estabelecimento de normas referentes ao período e quantidade de pescado a ser retirado dos lagos.
(-Jornal do Commercio-Manaus-AM-14/07/04)

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