Estado de S.Paulo-SP
Autor: LEONENCIO NOSSA
19 de Jun de 2002
Grupo organizado pela Funai desbrava um pedaço desconhecido da Amazônia
Cobras e jacarés enchem os igarapés e lagos no Vale do Javari, área de 85 mil quilômetros quadrados no Amazonas. Mosquitos provocam coceiras e feridas na pele dos próprios habitantes do lugar. E o mais surpreendente: cerca de 3.200 homens, mulheres e crianças, de línguas e costumes desconhecidos, ainda vivem isolados na mata, alguns sobrevivendo com a caça de zarabatanas e tocos com fogo.
É um Brasil ignorado nos grandes centros urbanos, mas ameaçado por madeireiros, garimpeiros e narcotraficantes. Por isso, uma expedição da Fundação Nacional do Índio (Funai), iniciada neste mês, busca vestígios e tenta identificar áreas e recursos utilizados pelos grupos isolados, de forma a estudar estratégias de proteção a tais etnias.
Nas ações de demarcação do território, os sertanistas recorrem a aparelhos via satélite e sobrevôos de bimotores sobre as malocas. Há um outro recurso: em todas as expedições, o governo contrata índios, que usam vocabulário parecido com o dos povos isolados, para o caso de haver algum contato direto. Nesta expedição, que passará três meses e meio na floresta e será integralmente acompanhada pela Agência Estado, a Funai pediu ajuda aos índios marubos, canamaris e matis. As três tribos aceitaram mandar homens, que atuam ainda como mateiros, por conhecer a fundo a selva.
Os quatro barcos da expedição vão permanecer ancorados na entrada do Igarapé São José. Pelos cálculos dos indigenistas, a expedição já navegou 142 quilômetros em canoas, pelo igarapé, até chegar ao Rio Itaquaí. O saldo da incursão foi positivo, avaliam os pesquisadores. Os vestígios encontrados nas margens do igarapé comprovam que os índios isolados usam a área para deslocamentos em busca de alimentos.
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