OESP, Vida, p.A14
19 de Out de 2004
Exército protege área de reprodução de tartarugas
Eles vão reprimir o roubo de ovos por quadrilhas que invadem a região, no sudoeste do Pará, durante o período de desova
Carlos Mendes
Especial para o Estado
BELÉM
O tabuleiro natural de reprodução de tartarugas do Embaubal, localizado nas praias do Rio Xingu conhecidas por Cipó-Pitanga, Puruna e Juncal, entre os municípios de Senador José Porfírio e Vitória do Xingu, no sudoeste do Pará, está desde a semana passada protegido por soldados do Exército. Eles foram para o local a fim de evitar e também reprimir o roubo de ovos por quadrilhas que invadem a região durante o período de desova, quando as tartarugas são alvos fáceis do pior dos predadores: o homem.
No ano passado, nasceram no tabuleiro e foram soltos na natureza 405.487 filhotes de tartaruga. O índice de mortandade, entre desova e soltura, foi de 15.432 filhotes, correspondendo a 3,8% do total devolvido ao rio. Para este ano, a previsão é do nascimento de mais de 500 mil filhotes, fruto do manejo de ações de educação ambiental realizados pelo Ibama.
A operação de soltura deve durar 45 dias após o nascimento dos filhotes, que ficam nos berçários para receber os cuidados e a avaliação dos biólogos. Mais de 200 pessoas, entre adultos e crianças das comunidades ribeirinhas, participam da operação.
O ataque das quadrilhas, porém, é o pior inimigo no Embaubal. O Exército foi chamado porque os policiais militares do Batalhão de Policiamento Ambiental do Pará, que sempre se deslocam para a região nesta época do ano, são insuficientes para proteger os berçários das tartarugas. Além das quadrilhas, acostumadas a agir nas praias principalmente à noite, os próprios ribeirinhos invadem o tabuleiro para roubar os ovos.
Na semana retrasada, os policiais prenderam um homem que transportava num barco 2.500 ovos. Integrantes de outra quadrilha teriam retirado das praias outros 7 mil ovos. Antonio dos Santos Soares, o preso, foi multado em R$ 250 mil. Aos policiais, ele disse que parte dos ovos serviria de alimentação para sua mulher e filhos e o restante seria vendido em cidades da região para "sustentar a família".
A soltura este ano está cercada de cuidados técnicos para evitar o que ocorreu no ano passado: a morte de mais de 30 mil filhotes nas covas de areia onde se abrigavam, durante a inundação das praias. O gerente do Ibama em Altamira, Elielson Martins, acatou sugestão dos coordenadores do projeto de Conservação das Tartarugas da Amazônias para a elevação do nível da areia das praias escolhidas pelas tartarugas adultas para a desova. A base de Embaubal, administrada pelo Ibama há 24 anos, é tida por organizações ambientalistas nacionais e estrangeiras como um dos modelos no País de preservação da fauna aquática.
OESP, 19/10/2004, p. A14
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