Folha de Boa Vista-Boa Vista-RR
Autor: TIANA BRAZÃO
01 de Jun de 2004
Uma equipe do Exército precisou ser deslocada para o município de Uiramutã com o objetivo de auxiliar as vilas e comunidades indígenas que ficaram isoladas devido às fortes chuvas que têm caído naquela região. A comunidade do Água Fria, onde vivem cerca de 350 pessoas, ficou isolada nestes últimos dias por conta de uma ponte que foi levada pela força da correnteza.
Com a intensidade das chuvas, as estradas estão sem condições de trafegar. Nestes últimos dias, todos os trechos das vias de acesso ao município estão correndo risco de serem interditados por oferecerem risco aos usuários das estradas, principalmente os índios.
Várias pontes estão correndo risco de cair a qualquer momento, como é o caso da ponte de madeira de 20 metros de comprimento localizada no rio Caraparu, cerca de 30 quilômetros da Vila do Água Fria. A ponte não resistiu e foi arrastada pela força das águas. O rio de aproximadamente 80 centímetros de profundidade subiu para 7 metros, deixando a comunidade do Água Fria isolada do resto da região.
Uma equipe da Defesa Civil esteve avaliando a situação do local. O secretário executivo, major Kleber Gomes, disse que outras comunidades estão passando por dificuldades de locomoção devido às chuvas intensas, como a de Santo Antônio do Pão, Caju e Mutum.
O Exército se prontificou a construir uma nova ponte, uma vez que até os pilares de madeira que davam suporte à antiga foram levados pelas águas. "O que podemos fazer é dar apoio de acordo com a situação, pois as águas vêm de todos os lugares. Isso só vai passar quando terminar o inverno. Naquele local, o 6o Batalhão de Engenharia e Construção montou uma ponte de combate [montada com cabos de aço e utilizada pelo Exército para travessias de rios ou outros locais de difícil acesso], que tem facilitado a travessia das pessoas que vivem naquela região", relatou.
Na comunidade do Caju as pessoas fazem o percurso por terra, em trilhas construídas há muito tempo por cima das serras que facilitam o acesso dos moradores. "As comunidades estão com dificuldade de locomoção, mas ainda não pode ser considerado estado crítico. Os carros que têm tração conseguem chegar até o município de Uiramutã, mas outros tipos de veículos não podem arriscar, não só pelos atoleiros, mas pelo próprio risco oferecido pelas estradas que foram destruídas pela força das águas das chuvas", complementou.
PREFEITURA - A prefeita de Uiramutã, Florany Mota (PT), disse em entrevista por telefone que o município está em estado de emergência desde o dia 11 de maio, quando as chuvas começaram a intensificar. Desde então, trafegar nas estradas tem se tornado muito perigoso. Um carro desceu o aterro, mas ninguém se machucou.
Segundo a prefeita, foram alugadas uma retro-escavadeira e duas caçambas para dar manutenção mais rigorosa as estradas. Também já foram enviadas pranchas de madeira para auxiliar a Vila do Mutum, a fim de que seja feito um trabalho provisório até que passem as chuvas.
Os postos de saúde têm registrado alto índice de malária, gripe e outras doenças respiratórias decorrentes da estação chuvosa. "O governador [Flamarion Portela] esteve no local e acompanhou a situação por que passa o município e se comprometeu em dar o apoio necessário para ajudar as comunidades da região. Inclusive com o envio de funcionários para a região, para atender a demanda crescente de pessoas doentes em decorrência da época chuvosa que estamos enfrentando", disse (T.B.)
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