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Autor: Carlos Terceiro
25 de Jun de 2010
A Funasa recebe os recursos federais e repassa para a ONG Asdefal, sediada no município de Ji-paraná. Essa ONG contrata os profissionais da saúde para trabalhar nas áreas onde vivem os índios. No começo, (2006) segundo uma fonte ligada a esse tipo de trabalho, disse com exclusividade ao site NAHORAONLINE que os técnicos em enfermagem, por exemplo, ganhavam uma cesta básica, além do salário, botija de gás e um galão de água mineral. Ainda segundo essa mesma fonte, nessa época eram contratados médicos, enfermeiros, nutricionistas e dentistas para cuidar da saúde indígena. A partir de 2007, quando por coincidência começaram as investigações da CGU, MPF e Polícia Federal, todos esses "benefícios" aos servidores foram cortados.
O salário de um técnico em enfermagem chega ao máximo a R$ 900 reais. Acontece que esses profissionais são obrigados a pagar a sua passagem de ida e volta ao local de trabalho, comprar o seu próprio rancho para poder passar os 20 dias dentro das aldeias cuidando dos índios e ainda tem que pagar sua estada na cidade onde serve de base para eles. Em Guajará-mirim, por exemplo, as despesas de um profissional com o seu apoio logístico ficam em torno de R$ 450 reais, sobrando exatamente esse mesmo valor para ele sobreviver os 10 dias que tem direito em sua cidade.
Enquanto isso, o dinheiro estava sendo desviado pelos gestores da Funasa e Asdefal, lamenta uma enfermeira que trabalhou mais de três anos na área. Ela pediu demissão porque não agüentava mais ver o sofrimento dos índios. Segundo ela, eles são tratados como bichos. Falta tudo para eles. A Funasa não tem mais nenhum tipo de profissional especializado para cuidar da saúde indígena, denunciou.
Para essa enfermeira, a parte pior desse processo todo é o abandono total por parte desse órgão e a Asdefal. Muitas vezes, um enfermeiro tem que ser conselheiro, médico, condutor de embarcação, tirando dinheiro do próprio bolso para salvar um índio quando ele precisa de atendimento médico especializado. Os índios, segundo ela, sofrem diversas doenças graves. Uma delas é a Hepatite "B". A outra doença que coloca inclusive os profissionais de saúde em risco é a tuberculose. Para os profissionais nenhum equipamento de proteção é oferecido.
E o dinheiro para onde vai?. Essa enfermeira disse que a situação dos índios é de penúria e sabe que muito dinheiro é enviado para a Funasa. Mas, agora entende porque nunca chegou aos que realmente precisavam, porque era desviado. Ela elogiou o trabalho do MPF, PF e CGU e disse que espera que agora a fiscalização seja mais eficiente e que a ajuda que os índios precisam chegue mais rápido.
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